“MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA”

É verdade que tenho sido menos assídua a escrever no Duas Linhas. Motivos vários, que não vêm ao caso, têm-me impedido. Mas as notícias que leio e o que ouço nas televisões deixam-me muito zangada. Concordo em absoluto com Fernando Pessoa: “MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA”.

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Não posso, pois, ficar indiferente aos pontapés que ouço e leio na língua portuguesa. Desde palavras mal articuladas, com acentos onde nunca estiveram, a todo o tipo de barbaridades, do género ‘o morto deixou o hospital’ e frases similares, de que as redes sociais estão cheias, pelo que me abstenho de as mencionar.

No ensino a minha revolta é ainda maior. Agora constato que os diretores escolares propõem versões de exames em português não materno. O que é isto? Eu explico: Aqueles professores, reconhecem que ‘a subida do número de alunos imigrantes pesa no aumento dos chumbos no ensino secundário’ e, por isso, os exames devem passar a ter uma versão em língua portuguesa não materna.

Pergunta-se o que é isso de língua portuguesa não materna? É simples, ‘os estudantes do ensino básico e secundário que se inscrevem pela primeira vez e cuja língua materna (primeira língua) não seja o português ou que não tenham tido português como língua de escolarização’. Estando em Portugal, não seria mais lógico que lhes ministrassem aulas suplementares de Português?  Vamos continuar a adaptar-nos às necessidades de quem vem, e não o contrário?

Claro que são necessárias medidas de apoios aos imigrantes. Absolutamente! Mas talvez começar por ajudá-los ensinando-lhes a língua do País onde escolheram viver.

Imagine-se um aluno português que vai estudar para o estrangeiro. Não tem de saber a língua do país que o recebe?

O que mais me choca é o facto de serem professores, diretores escolares, a fazerem estas sugestões em nome do combate ao aumento dos chumbos no ensino secundário.

Aliás, cabe ainda aqui referir que também os portugueses deixaram de saber falar e escrever, tal é a mistura que se ouve, por exemplo, nos transportes públicos.

Recentemente, uma criança disse-me: posso água? Confesso que nem percebi o que queria dizer. Depois, fiz-me de burra até a criança dizer ‘posso beber água’…

Ensinem os alunos, ensinem, se for preciso, os pais dos alunos. Todos, portugueses e estrangeiros. Mas, por favor, respeitem a língua portuguesa.

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