Passaram-se alguns dias e o silêncio é total nos média, a propósito da condenação da Ucrânia no massacre de 2014, em Odessa. A sentença agora proferida pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) foi olimpicamente ignorada pela generalidade dos órgãos de comunicação social. É como se não tivesse acontecido nada, quer em 2014 como agora, quando finalmente o TEDH sentenciou os acontecimentos.
E, no entanto, os acontecimentos de Odessa tiveram primordial importância para a Ucrânia. O massacre acontecido na Casa dos Sindicatos, quando 42 pessoas foram queimadas vivas pelos apoiantes do golpe de estado que tinha derrubado o governo de Viktor Yanukovytch. As vítimas eram cidadãos do Donbass, ucranianos russófonos. O massacre é, ainda hoje, sinalizado como uma das causas da atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Portanto, teria sido interessante se os média nacionais se tivessem debruçado sobre a decisão do TEDH. Conhecer e compreender a origem dos acontecimentos que hoje nos perturbam devia ser aliciante suficiente para a notícia e o devido enquadramento.
Tal como foi feito, não dando a notícia, contribui apenas para alimentar a ignorância e o sectarismo que rodeia a guerra na Ucrânia, narrada como se fosse um filme de Arnold Schwarzenegger, com o mundo dividido entre bons e maus.
Mais de 10 anos depois, o TEDH condena a Ucrânia por “violações do artigo 2º (direito à vida) da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, relativo ter em conta o facto de as autoridades competentes não terem feito tudo o que delas se poderia razoavelmente esperar para prevenir a violência em Odessa, em 2 de maio de 2014, para pôr termo a essa violência após o seu surto, para garantir medidas de salvamento atempadas para as pessoas presas no fogo, e para instituir e conduzir um investigação dos acontecimentos; e uma violação do artigo 8.º (direito ao respeito pela vida privada e familiar) relativamente a um requerente (Requerimento n.º 39553/16) relativo ao atraso na entrega do corpo do pai para sepultamento.”




