Os grafitos são modo de comunicação poderoso. A eficácia da mensagem depende muito das palavras que se escolhem, da criatividade e até da qualidade artística de quem concebe o grafito.
Muitas vezes não passa de um rabisco mal amanhado numa parede. Outras, são desenhos poderosos e verdadeiras obras primas. Outras, ainda, são um misto de mensagem escrita e obra artística.
Há locais onde percebemos que existe um combate político ativo entre grafiteiros. Em Évora, por exemplo, depois dos fascistas do grupo “1143” terem conspurcado algumas paredes do centro histórico, a esquerda “calou” o insulto com cravos. O que era um dejeto passou a ser uma flor.

A melhor solução seria a autarquia mandar limpar as paredes, independentemente de serem públicas ou propriedades de privados. E talvez não fosse má ideia responsabilizar os fascistas pela sujidade que provocaram, obrigando-os a pagar a despesa da limpeza. É muito fácil chegar até eles, são sempre os mesmos dois ou três que por ali andam pela calada da noite a insultar quem trabalha.

Em Évora, há registos de vários episódios de ataques e insultos a minorias étnicas ou de género, em que é evidente o ódio que a extrema-direita promove. Os grafitos ameaçadores e insultuosos são o que de mais fofo eles são capazes de fazer.
A Sociedade Harmonia Eborense (SHE) faz juz ao nome que lhe deram em 1849, promove iniciativas de âmbito cultural e a harmonia entre as pessoas, ideia expressa no primeiro documento normativo da vida desta associação. E por isso é um dos alvos prediletos da extrema-direita que não gosta de igualdade, feminismo, direitos cívicos, cidadania, liberdade. Nem de cravos vermelhos.







