A mãe de um amigo tem 67 anos. A agricultura levou-lhe tudo, até a saúde, pois teve de se reformar por invalidez. Tendo descontado (como quase todos os trabalhadores agrícolas) pelo mínimo, já que os próprios ordenados eram de miséria, aufere 498 euros de pensão. Muito, mas muito longe do valor de renda de casa moderada (2.300 euros) preconizado pelo governo. Vai, assim, receber mais 13,76 euros por mês, e ironiza: ‘nem sei o que fazer a tanto dinheiro’.
Mas, por outro lado, lamentou-se: ‘Com tantos aumentos, já no início do ano, não dá nem para os gastos do pão durante uma semana’.
Uma vida de trabalho duro no campo e em casa, a tratar dos animais, da terra, dos filhos e tudo o mais que implica ser mãe. A mãe do meu amigo queria escrever ao primeiro-ministro, ‘ou talvez telefonar-lhe’, sugeriu na quase ingenuidade de quem vive longe da realidade do poder.
Falava, ainda, a Comunicação Social de quem vai receber 40 e 50 euros de aumento, correspondentes a pensões mais elevadas do que a que recebe a mãe do meu amigo. Deixaram de fora as milionárias. Continua a ser o favorecimento dos que mais têm e o resto, promessas e mais promessas, dança de cadeiras no SNS com privilégios para quem for do PSD, trocas e baldrocas nas autarquias e todos nós entregues aos ‘bichos’ que prometem portar-se bem e cada vez são piores. Justificam, em última análise, com ‘a conjuntura internacional’. O problema é que ainda há quem acredite, esquecendo-se que ‘com papas e bolos se enganam os tolos’.
O novo ano não promete ser melhor do que este. Pelo contrário, avizinham-se tempos muito difíceis, sobretudo para os reformados e os doentes, as crianças e os velhos, todos os que são mais vulneráveis.
Ainda assim, vim aqui para desejar a todos um Feliz 2026!



