Era de supor que, para comemorar, em mui saudosa alegria, os 25 anos contados a partir do passamento de Amália Rodrigues, algo de excepcional se haveria de criar. E criou-se.
Na verdade, Amália Sinfónico, que o Grupo Chiado trouxe ao Salão Preto e Prata do Casino Estoril, plenamente atingiu, sem dúvida, as mais exigentes expectativas que os espectadores poderiam ter imaginado.
Os mais conhecidos fados celebrizados por Amália foram mui diligentemente trabalhados para receberem ainda maior ênfase.
Primeiro, pelos singulares arranjos concebidos por Gilles Arcens, José Calvário, Lino Guerreiro, José Martins, José Condinho, Tiago Flores e Louis Senarrt.
Depois, porque enriquecidos pela passagem, em vídeo, de saborosos instantâneos da vida da artista (produção de Tiago Inuit, Laurent Rossi, Bárbara Alves e Simão Cardoso).
Em 3º lugar, porque, bem a preceito, se depositou inteira confiança em Anabela para interpretar, sozinha ou com Amália (em registos originais), alguns dos fados que tão bem se enquadram na sua voz timbrada e quente.

Finalmente, porque ao som da Orquestra Clássica de Lisboa, dirigida pelo maestro Rui Pinheiro, 40 músicos – que, bem se viu, gostaram de actuar assim – sabiamente se ajuntou o trinado, solitário mas veemente, da guitarra portuguesa dedilhada pelo virtuosismo de Daniel Freire, a sublinhar bons momentos.


Acresce a actuação da soprano Ângela Silva, a emprestar, pelo canto lírico, novo calor ao que a orquestra e as imagens nos haviam já despertado.

Falou-se em magia. Não a houve propriamente; contudo, foi mágico o que se logrou reviver no diálogo travado entre Amália e Anabela, que as artes digitais lograram mostrar-nos, nos lábios que, fingidos, no entanto até pareciam reais!
Certamente os produtores (concepção e direcção artística de Laurent Rossi, da Rossio Music Publishing), por tanto terem ousado, ficaram na expectativa: será que vai dar certo? Será que o público aceita?
Pelas expressões observadas nos espectadores, que praticamente lotaram o Salão Preto e Prata, poder-se-á afirmar que sim: o resultado não ficou aquém dessas expectativas. Valeu. Não era fácil, convenhamos, para Rui Pinheiro reger a orquestra, atendendo à heterogeneidade dos estilos, uma vez que se mostraram orquestrações bem diversas; mas Amália Sinfónico, pela sua excelência, deve ser apreciado noutras salas do País.
(Agradece-se ao Gabinete de Imprensa do Casino a cedência de fotografias)



