VIOLÊNCIA POLÍTICA

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O que aconteceu na Pennsylvania, durante o comício de Trump, foi unanimente considerado por políticos de todo o mundo como “inaceitável” caso de “violência política”. Não deixa de ser curioso verificar que, para os políticos, a “violência política” só é aceitável quando é promovida por eles mesmo.

Por exemplo, o que se passa na Faixa de Gaza é a mais indecente violência política, o exercício do genocídio de um povo, um crime contra a humanidade, mas a vítima Trump apoia essas ações do Estado israelita, assim como o seu adversário Biden.

O repúdio e os lamentos dos pares de Trump revelam, acima de tudo, que inaceitável é que o monopólio da violência política seja quebrado. O que aquele infeliz da Pennsylvania fez foi um mau exemplo que não deve ser replicado. Essa é que é a questão.

Presidentes e primeiro-ministros que não hesitam em ordenar bombardeamentos ou em armar exércitos que eles sabem que vão matar civis, ficaram muito chocados com esta forma de violência política experimentada pelo jovem Crooks.

Claro que se falarmos da violência política que permite e fomenta o crescimento das favelas latino-americanas, dos musseques africanos ou dos sem-abrigo europeus, vão chamar-nos de comunistas. Se falarmos da violência política que acicata o ódio racial, que militariza fronteiras, que permite a brutalidade policial, vão nos chamar traidores à Pátria.

O coro de repúdio revela o medo que eles têm. Afinal, também podem morrer de modo violento. Ou ficar sem uma orelha…

cartoon de Hélder Dias

1 COMENTÁRIO

  1. A violência é sempre inaceitável e as encenações também.
    Vamos supor que estava tudo combinado com o atirador…Ele receberia uma pipa de massa por falhar, como retorno atiravam-lhe uma daquelas balas fingidas e o rapaz ficaria bem na vida…Só que em vez de uma bala de borracha, parece que levou um tiro em cheio…
    Seria demasiado perverso, não?
    É que a sofreguidão da corrida ao poder é tanta, mesmo por parte de quem foi banido pelo eleitorado de forma tão expressiva, que todos os cenários parecem plausíveis.
    Uma boa percentagem de pessoas tem memória curta, mas outras lembram-se dos detalhes da retirada e da resistência em aceitar resultados, o que torna um candidato indesejável. Seria para essas que a conversão de um mal-amado em vítima, seria uma bela jogada política…
    Suposições, teorias. Vivemos um tempo em que a realidade supera a ficção.

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