O princípio do fim

O filho de Isabel II corre o risco de vir a ser o último rei de Inglaterra.

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A senhora esteve tanto tempo no papel de rainha de Inglaterra que nos habituámos a ela. A Inglaterra era a rainha e vice-versa. Íamos a Londres de férias e tínhamos de ir ver o render da guarda da rainha, em Buckingham Palace. Hoje, seguimos o cerimonial funerário como se Isabel II fosse uma espécie de prima velha que morreu, finalmente. Uma daquelas primas velhas ricas que nunca quis saber de nós. Sabemos que não nos toca nada na herança, mas fingimos que fazemos parte da cerimónia.

Agora que a senhora morreu, mais interessante que o cerimonial funerário que os “mestre sala”, perdão, jornalistas enviados-especiais, nos transmitem, é termos a noção do que vai mudar. Não que ela fosse âncora de alguma coisa, mas a morte de Isabel II traz uma oportunidade para aqueles que esperam o momento de romper com sistemas instituídos há demasiado tempo.

Depois de terem desaparecido poderosos regimes monárquicos europeus no início do século XX (Alemanha, Áustria, Rússia, Portugal, mais tarde a Grécia), a monarquia inglesa corre o risco de não se aguentar neste início do século XXI. A maioria da população britânica já não defende a monarquia, segundo dizem as sondagens que por lá se fazem a este propósito. Na faixa etária abaixo dos 30 anos, a maioria republicana é mesmo esmagadora, assim como nos grupos sociais e étnicos minoritários.

na faixa etária 18-24 apenas 28% dos britânicos apoiam a monarquia

Na Escócia e na Irlanda, as pulsões separatistas têm uma base republicana.

Escócia, 50% da população apoiava a monarquia britânica em maio de 2022

Enfim, o filho de Isabel II corre o risco de vir a ser o último rei de Inglaterra. A culpa não será dele, foi no reinado da mãe que a monarquia começou a perder apoio social.

Ideias republicanas têm seguidores nos partidos do sistema britânico, mesmo no Partido Conservador. A luta política vai intensificar-se nos próximos tempos. As opções políticas que levaram a Europa a mergulhar numa crise energética e económica terão consequências. Quais, ainda não se sabe. Mas sabemos como o descontentamento popular é fácil de ser manipulado. E o que alimenta o descontentamento popular dos britânicos é, neste momento, a inflação no Reino Unido a tocar nos 13%.

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