Não há memória de ter havido uma guerra limpa de “pecados mortais”. Procurar ética na guerra é tempo perdido. Os cavaleiros andantes só existem nas histórias aos quadradinhos e nos filmes de Hollywood.
Os que fazem a guerra são todos vilões ou transformam-se em vilões com o desenrolar do conflito. O combate é sempre de vitória ou morte. E usam-se todas as armas disponíveis. Pedra, faca, espada, pistola, canhão, míssil, televisão. Vence o mais hábil e esperto, que nem sempre é o mais forte.
Quem vence jamais é chamado a prestar contas, nunca é responsabilizado pelos crimes que cometeu. A impunidade faz parte da vitória. Quem perde, enfrenta tribunais internacionais. Aconteceu com os alemães e japoneses nos julgamentos de Nuremberga, depois da II Guerra Mundial. Alguns foram condenados à morte. Outros a penas de prisão. Mas tribunais como o Tribunal Penal Internacional (TPI) só julgam pessoas, nunca julgam Estados.
Mas quem foi julgado pelo TPI? Alguns exemplos: Thomas Lubanga (Congo), Germain Katanga (Congo), Bosco Ntaganda (Congo), Jean Pierre Bemba (Congo), Ahmad al-Faqi al-Mahdi (Mali), Jovica Stanisic (Sérvia), Franko Simatovic (Sérvia), Ratko Mladic (Sérvia). Isto é, sempre representantes do lado que perdeu a guerra.



