China – Mais um gigante com pés de barro

- Antes de escrever, pensa e documenta-te… – segundo David Cantagalli, em “Covid 19 - O Monstro Chinês que Mudou o Mundo”, de Joseph Tritto, citado em “Covid 19 – A Tempestade Perfeita - História Clínica da Pandemia”, um livro em segunda edição, considerado pela generalidade dos críticos e especialistas como “magistral” e “honra da Medicina Portuguesa”.

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Ontem mesmo, a comunicação social deu-nos conta de que só na região de Xangai, com a ajuda do exército, iriam ser feitos testes obrigatórios à covid a vinte e seis milhões de chineses. Hoje, o Ocidente teve notícia de que, numa medida extrema, até muitos bebés estão aí a ser retirados à família, por razões sanitárias.

No meu livro recente, sobre a pandemia, mergulhei sem medo nas águas sujas que hoje contaminam um mundo em profunda mudança. A China, um país onde mantenho estreitos contatos, não escapou a essa reflexão. Retomo hoje esse tema, sem desistir de escrever… e depois de muito me documentar e pensar.

Certo e seguro, a China, um gigante que tenta liderar o mundo, começa a exibir dolorosas fragilidades que expõem uma inesperada vulnerabilidade política, económica e até militar.

Tal “garantia” chegou-me do interior da própria China, durante a semana que passou. Há muito que a cidade de Xangai, o principal eixo económico, está “deserto”, com a população confinada em suas casas.

Por diversas razões, e o condicionamento económico não será a menor, milhares de cidadãos estrangeiros, entre eles portugueses, vêem-se impedidos de abandonar um país que os despreza e hostiliza e onde não preveem qualquer futuro.

Entretanto, medidas brutais de isolamento interno têm prosseguido no combate à nova variante do Covid, ainda na lógica de uma “guerra biológica”: milhares de “suspeitos” de  Covid estão “internados” dias e dias em cadeiras nos corredores de hospitais; as camas amontoam-se em espaços miseráveis, como se pode comprovar pelas imagens que recebi; um pequeno vídeo, o possível, mostra mesmo uma “brigada” a selar as portas de um prédio residencial…

Milhares de cidadãos, muitos deles incapacitados ou idosos, morrem assim dentro de suas próprias casas, pois nem sequer lhes é prestada ajuda através de janelas, igualmente encerradas; o povo começa a estar revoltado e, embora tímidas, já surgem manifestações públicas contra um regime que se mostra brutal e inflexível.

Acresce que se construíram centenas de luxuosas cidades, hoje fantasmas, com milhões de apartamentos e centros comerciais ao abandono. A classe média, tal como no Ocidente, entrou em decadência e o regime já “permite” a implosão de prédios gigantescos, em construção. Enquanto isto, a população espreita uma nova “revolução cultural” que lhes permita tomar conta daquilo que, na mão de títeres, lhes pertence.  

Enfim, temos aqui já a demonstração clara de que nos encontramos perante um gigante com pés de barro, mais um daqueles que se estatela ao primeiro passo. Nada que cause admiração quando, tendo desistido de invadir Taiwan face à solidez da resposta do Ocidente à invasão da Ucrânia, a China agora assobia de banda e faz-de-conta que não vê as atrocidades cometidas pelo seu vizinho e principal aliado.

Numa época em que estão em causa os valores da democracia e da liberdade, aqueles que abriram lugar a uma civilização certamente cheia de defeitos, é uma “sorte” perceber que a “concorrência”, afinal, é uma ameaça que sofre de doença maligna.  

E é neste contexto que uma Europa unida, como nunca esteve durante toda a sua História, e um Portugal capaz de aproveitar os seus talentos próprios, constituem a única promessa de um futuro muito mais airoso do que aquele que esperávamos, há apenas dois meses.

Mas, para que tal aconteça, temos que “ganhar juízo”, remédio que não se compra nas farmácias.

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