O bloqueio europeu aos órgãos de comunicação social russos é uma medida política. O canal de televisão Russia Today e a agência noticiosa Sputnik foram silenciadas. Trata-se de uma medida decretada pela Comissão Europeia. Em Portugal, a aplicação desta medida é simbólica. Na verdade, nenhum português consome informação proveniente desses dois órgãos de comunicação social, excepto meia dúzia de russos que cá vivam.
O que já não é simbólico é a aceitação pelos jornalistas portugueses de uma medida desse género. Primeiro proibiram os russos, mas eu não era russo… não é? O precedente é perigoso, para a liberdade de expressão, para a liberdade de imprensa. Qual foi o tribunal que decretou que esses órgãos de comunicação social representavam um perigo para a sociedade? Depois disto, virá a exigência dos jornalistas cumprirem desígnios político-militares.
Há uma guerra nas bordas da Europa. É verdade que de lá chegam muitas notícias falsas. Na maioria das vezes, pequenas notícias, relatos circunstanciais de âmbito muito local, mas que contribuem para formar uma ideia generalizada sobre os maus e os bons. E a malta gosta é dos bons.
Os maus e os bons
Exemplo. A narrativa sobre os marinheiros ucranianos que mandaram foder o navio russo que se preparava para tomar conta da ilha de Zmiinyi. Os relatos publicados, até mesmo em conceituados canais de televisão, davam conta do sacrifício destes “heróis” ucranianos massacrados pelos russos abrutalhados. Afinal, era tudo mentira.


Outro exemplo. O infantário que serviu de alvo a um míssil disparado pelos russos, em Stanytsia Luhanska, conforme se lê nas notícias divulgadas. Nenhuma vítima. Como ninguém perguntou ao zarolho o que ele queria atingir, ficámos com aquela sensação de que foi pura malvadez.
As imagens da sala onde as crianças infelizmente já não brincam nem aprendem, é uma desolação. Mas as imagens em plano geral do exterior da casa mostram um buraco na parede e janelas grandes com vidros inteiros. Nenhum vidro partido. Na Ucrânia, o vidro é de excelente qualidade.


Último exemplo. O vídeo impressionante, de puro sadismo, de um tanque russo a cilindrar um automóvel onde seguia um velhinho. Aquilo era a representação do mal. Nossa senhora de Fátima tinha razão quando segredou a Lúcia para nos prepararmos para o mal que viria da Rússia…

Mas, afinal, o blindado era ucraniano. E amanhã vamos ler, talvez, que o condutor estaria bêbado e que não tinha consciência do que estava a fazer. Traumas da guerra.
Com isto, dizer que nas guerras, não há bons. São todos maus. Mesmo os ucranianos.



