Lisboa preocupada com o problema dos sem-abrigo

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fotomontagem com Laurinda Alves, vereadora da CML

Dormem na rua, em vãos de escada, em tendas, são muitos e Lisboa não tem resposta para tanta gente. A situação dos sem-abrigo agravou-se durante a pandemia. Hoje, segundo divulgou a vereadora dos Direitos Humanos e Sociais, Laurinda Alves, são 3.780 pessoas sem casa, das quais 494 vivem de facto na rua. As restantes encontram-se enquadradas nos serviços sociais existentes e têm acesso a soluções transitórias de abrigo e alimentação.

Laurinda Alves acrescenta que muitos casos são pessoas com problemas de saúde mental, o que agrava o problema.   

Lisboa tem muitas situações destas porque atrai muita gente. Diz a vereadora que muitos casos são de pessoas oriundas de municípios vizinhos, de outras zonas do país e até do estrangeiro.

Desde 2019, o número de pessoas sem-abrigo em Lisboa aumentou 18,9%.  A maioria da população em situação de sem-abrigo em Lisboa é do sexo masculino e a média de idades está nos 40 anos. Felizmente que, neste momento, não há casos referenciados de crianças a viver na rua.

Em terra de pobres, quem tem casa é “rei”

Numa entrevista à agência Lusa, a vereadora explicou que as pessoas nesta condição “não têm um problema, têm um somatório de problemas”, desde questões de saúde mental a dependência de drogas, “e podem ser todas estas e ainda mais outra, que são as questões financeiras de alguém que fica na rua porque perdeu o emprego, porque está endividado, porque sofreu uma penhora”.

Nesta equação pode-se incluir também os valores “inacessíveis” das rendas de habitação. Uma boa parte da população é pobre, pura e simplesmente.

Questionada sobre o tempo necessário para erradicar o problema no concelho, Laurinda Alves suportou-se nas palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que no Natal passado disse que a pandemia de covid-19 tornou impossível fixar metas temporais para retirar estas pessoas da rua.

“Neste momento, com a pandemia e com tudo aquilo que é tão avassalador, tão dramático e tão torrencial, é uma hemorragia que não conseguimos estancar, nem conseguimos ver o fim…”

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