A burocracia do Estado

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Em tempos, houve um governante que teve a ideia de aliviar os cidadãos da burocracia do Estado. Uma ideia simples, aparentemente, a que se chamou Simplex. O projeto teve início e algumas centenas de funcionários do Estado dedicaram-se a ele. Grupos de trabalho, em todos os ministérios, agregaram técnicos e assessores, para uma imensa compilação da rede que alimentava a burocracia do Estado.

A ideia era saber ao certo quais as tarefas que podiam ser eliminadas como, por exemplo, reconhecer assinaturas em determinados documentos ou construir pontes entre diferentes serviços ministeriais que evitassem o desperdício de papel, tempo e trabalho na passagem de informações banais.

Era uma tarefa meritória. Quando esse governante caiu, o Simplex caiu com ele. Nunca mais se ouviu falar em tal coisa. Como se não tivesse sido uma boa ideia e como se os problemas tivessem desaparecido.

Ontem, falei com pessoa amiga que teve de ir ao Centro de Emprego onde está inscrito pedir uma declaração para ir entregar ao Centro de Saúde onde está inscrito. É o cidadão a fazer de estafeta do Estado. De borla. Não, a pagar do seu bolso. Porque se a declaração não se paga, já a deslocação do cidadão para um lado e outro foi feita à custa de combustível que ele paga, do desgaste da viatura que ele comprou e que mantém à sua custa e do tempo que essa tarefa implicou em regime de dedicação absoluta.

Isto, num tempo em que tudo se faz online, por vias eletrónicas. Mas os diferentes ministérios não se dão uns com os outros. É o que parece.  

 

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