Menos de 100% não é nada

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Qual é a coisa qual é ela que faz as eleições internas no Chega serem tão parecidas com eleições na Coreia do Norte? É o vencedor ter uma percentagem acima dos 90%. Tanto no Chega como no quintal de Kim Jong-un qualquer resultado abaixo de 90% seria visto como inaceitável e um atentado ao brilho do querido líder.

No sábado, André Ventura foi reeleito presidente do Chega com 94,78%. Repararam no preciosismo da cifra, claro. Vírgula 78, dá um ar de exatidão que convence qualquer um.

Algumas narrativas jornalísticas falam em 4 mil votantes. O que daria 3791,2 votos em Ventura. Não pode ser. Talvez tenham sido 3999 votantes, dos quais 3790,25 votaram na reeleição do líder. Também não pode ser. E se foram só 3998 votantes, daria 3789,3 votos para o querido líder. Também não bate certo. E se foram 3997 votantes, dá 3788,35 a votar no André. Também não dá. E se foram, então, 3996 votantes, dá 3787,4 a votar no mesmo. Errado. E se foram 3995 votantes, faz com que 3786,46 votaram no deputado. Está difícil de acertar num número certo. Última tentativa, talvez tenham sido 3994 votantes, o que resulta numa votação 3785,51 para o homem. Desistimos. Foi uma vitória estrondosa, não se fala mais nisso.

Nas eleições anteriores, também para a presidência do Chega, André Ventura venceu com 97,3% dos votos. O Kim Jong-un não faria melhor.

colagem fotográfica

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