Em Tires, sem foie gras nem flute

O telemóvel vibrou, era a minha amiga rica. Como me comprometi a nunca falar o nome dela, tenho de a identificar assim. Até porque ela gosta de passar por rica. Já foi uma rica mulher, há uns 30 anos. Hoje, enfim, mantém um sorriso bonito.

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“Já viste o que aconteceu à Maria de Jesus?” disparou ela, sem dizer sequer bom dia. De repente, não estava a ver a quem ela se referia… “A mulher do Rendeiro!” explicou, impaciente.

Na net e nas televisões, dizem que a senhora está detida em Tires. “Que horror!” exclamou a minha amiga. “Vai-lhe dar um chelique, coitada”, disse verdadeiramente preocupada com a amiga. “Será que deixam a empregada de casa ficar com ela, lá na prisão?” e explicou-me que, todas as noites, a Maria costuma cear uma tostinha com patê de foie gras e uma pequena flute de champagne para lhe embalar o sono e que, se a criada não for, ela vai sentir falta da ceia e até pode ter insónias.

Depois disto, fiquei a pensar se a detenção de gente rica não se assemelharia a um ato de tortura. É que as privações que um rico sente são bem maiores que as de um pobre. E quase que aposto que essas circunstâncias terríveis para a coitada da Maria de Jesus vão quebrá-la animicamente. Aliás, foi notícia há uns dias que numa audiência em tribunal, Maria de Jesus disse não ter condições psicológicas para responder a perguntas.  E deve ser a mais pura das verdades. Sob “tortura” vão obrigá-la a “cantar”, a dizer onde está o marido, onde escondeu o dinheiro. Mas será que ela sabe?

Bom, mas uma noite não são noites. Os procuradores acusam-na de branqueamento de capitais e descaminho das carérrimas obras de arte arrestadas pela Justiça de que era fiel depositária. Não é assim nada de outro Mundo. Talvez o juiz a mande para casa esperar pelo andamento do processo.

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