Na Minha Rua

Nos tempos que correm existem APPs para tudo e para nada. Também há uma APP que se chama Na Minha Rua, à qual recorri para elogiar, perceber ou me indignar com o que se passa na minha rua.

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Com efeito, com a preocupação da modernidade e dos ciclistas, muitas obras foram feitas recentemente, nomeadamente na minha rua. O problema é que as verdadeiras urgências da rua não foram tratadas, mas os quatro ou cinco ciclistas que passam ao fim-de-semana (durante a semana nem esses) têm tratamento VIP. Também os (já de si poucos) lugares de estacionamento diminuíram, numa zona onde tem um hospital com médicos, enfermeiros, outros trabalhadores, doentes e familiares que os querem visitar, a grande maioria de fora de Lisboa.

Mas passo a explicar melhor: resido na Rua do Instituto Português de Oncologia (IPO), há 18 anos. Quando me mudei, já havia a promessa de retirarem os carris do eléctrico. Nos últimos meses, diminuíram passeios de um lado e criaram ciclovias, aumentaram as esplanadas do outro. Os velhos carris dos eléctricos, que não passam aqui há mais de 30 anos, lá continuam a fazer deslizar involuntariamente os carros em dias de chuva.

Ainda por cima, uma rua que tinha dois sentidos (a bem da verdade aos fins-de-semana com o acumular de táxis na praça, era como se só tivesse um) ficou, definitivamente só com um sentido. Mas a via é tão estreita que os espelhos laterais dos carros andam sempre num virote. Além disso, para estacionar um carro um pouco mais comprido tem de andar para a frente e para trás, em manobras, até conseguir entrar no espaço, normalmente exíguo, sem riscar o carro do outro lado da rua. O mais ridículo é que os pilares, santos ‘protectores’ dos ciclistas, impedem os automobilistas de abrir as portas para saírem dos seus carros. Quem tem crianças precisa de as retirar do carro pelo lado da estrada, correndo o risco de serem atropeladas. Na certeza de que os escassíssimos ciclistas que ali passam estão em segurança.

Cansei-me de protestar Na Minha Rua, onde a informação sobre esta história está ‘em análise’ há vários meses. Pelo menos é isso que a APP refere. Dir-me-ão que mudaram as ‘cabeças’ da Câmara de Lisboa e que foi há pouco tempo. Pergunto-me se as ‘cabeças da APP’ também sofreram mudanças.

Até porque também está em análise a minha pergunta sobre se os novos jardins da Praça de Espanha vão ou não ter equipamentos para crianças. É que os que estão à vista são para quem tem mais de sete/oito/ ou dez anos. E eu a pensar se querem trazer famílias para Lisboa e fomentar o aumento da natalidade. Pois não sei! E parece-me que a autarquia também não sabe. Ou continua em permanente análise, segundo informa a APP…

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