Autárquicas, os que venceram e os que perderam

Na Área Metropolitana de Lisboa, o PS revelou fragilidades insuspeitas. Vive-se um ambiente de mudança de ciclo. É a chamada alternância de poder. Ora PS, ora PSD. E disto não passamos...

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O PS venceu estas eleições autárquicas e, ao mesmo tempo, perdeu-as. Na verdade, é o partido com maior número de câmaras municipais, mas perdeu nas princiais cidades. É um sinal de rejeição que se pode transformar numa bola de neve. E acontece quando António Costa tem todos os trunfos na mão, principalmente o dinheiro a rodos que chega da União Europeia.

Em Lisboa, por exemplo, o PS só se pode queixar de si mesmo. Qualquer acordo com o PCP ou o Bloco teria evitado a derrota. Mas havendo o mesmo número de vereadores quer para o PS quer para a coligação liderada pelo PSD (sete eleitos cada) ainda há a possibilidade de Medina “construir” uma geringonça que continue a governar a cidade.

resultados em Lisboa, fonte MAI

Em Oeiras, Isaltino esmagou a concorrência. Não há nada a dizer. O homem é um fenómeno político e social. As pessoas gostam dele. O resto é conversa da treta. O problema de Oeiras será a sucessão de Isaltino. Daqui a 4 anos veremos o que acontece.

resultados em Oeiras, fonte MAI

A Amadora continua cor-de-rosa. A outra senhora que tinha a mania que cada passada sua “fazia tremer o sistema” vai ter de se contentar com um lugarzinho na vereação, sem pelouro nem salário atribuído. Terá de continuar a fazer pela vida nas televisões a bolsar desdém pelos pobres e minorias étnicas. É a vida.

resultados na Amadora, fonte MAI

Em Cascais, nada de novo. Carlos Carreiras segue com maioria absoluta. A Área Metropolitana de Lisboa tem alguns “paraísos” políticos para o PSD. Além de Cascais, Mafra permanece também imóvel e imutável na cena política. Os mafrenses estão contentes com uma autarquia que não faz passeios na maioria dos arruamentos do concelho e que licencia empreendimentos que estão a matar o comércio local? É estranho, mas a partidarite funciona mesmo.

resultados em Cascais, fonte MAI

Em Sintra, Basílio Horta (PS) ficou contente com a vitória, apesar de ser uma vitória mais magra que há 4 anos e disse não estar preocupado com o resultado do Chega, o que diz tudo sobre ele. Sem maioria, quem sabe se Basílio não vai chamar o Chega para o governo da autarquia? Se tivesse tempo de vida para tal, ainda o veriamos a militar ao lado do fascista Ventura. E na verdade, seria ali que ele estaria bem. É assim que se dá cabo do PS.

resultados em Sintra, fonte MAI

Os resultados de Sintra vieram provar que o eleitorado sintrense é avesso à irreverência. O fracasso de Guilherme Leite deve-se a essa estranha maneira de estar na vida da maioria dos eleitores.

No país, a extrema-direita teve um bom resultado, com mais de 200 mil votos, engoliu o CDS. É lá entre eles, na verdade o CDS era a extrema-direita envergonhada. Ventura fê-los sair do armário. O Chega fez o sexto resultado, em termos globais. Ficou bem atrás do PCP, mas à frente do Bloco que não é partido com bom histórico em eleições autárquicas. Ventura vai fazer umas piruetas e cantar vitória. De braço esticado, na intimidade do quarto.

Maus resultados nacionais para o Iniciativa Liberal e PAN. No caso do IL, que se queixem ao Chega… no caso do PAN, só se podem queixar de si próprios. O PAN é um partido que teria todas as condições para uma implantação bem sucedida nas autarquias, dada a proximidade que tem com as populações sensíveis ao bem-estar animal e aos problemas da defesa ambiental, mas está a falhar em toda a linha. Será uma questão de erro nos castings e de comunicação. Temos pena.

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