Uma grande mama no Grande Prémio de Portugal

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O jornalista Baptista Bastos era exímio no palavrão. À frente de todos, em plena redação do Diário Popular. Vítor Direito escrevia asneirolas nos seus brilhantes Bilhetes Postais, no Correio da Manhã. E eu acho muito apropriado o verbo mamar para o pedido de voluntários para o Grande Prémio de Portugal de Formula 1, que vai decorrer em Portimão.

A ideia é do Instituto Português do Desporto e Juventude e destina-se a jovens entre os 16 e 30 anos, que vão engrossar os lucros do grande circo da Fórmula 1, com uma marca de cervejas: “Formula 1 Heineken Grande Premio de Portugal”.

O Instituto português elogia a Formula 1 que começou em Maio de 1950 em Silverstone, no Reino Unido. E que Bernie Ecclestone transformou numa máquina de fazer dinheiro. Ecclestone tornou-se   presidente e CEO da Formula One Management (FOM) e da Formula One Administration (FOA). E passou a decidir onde dá mais dinheiro meter uma prova.

Bernie é filho de pescador e fez um império à conta dos direitos televisivos, que a televisão portuguesa também pagou generosamente. Nasceu em 1930 e casou aos 79 anos com uma brasileira 45 anos mais nova. A sua vida tem sido lucrativa, fácil e glamorosa.

Mas esse sucesso não pode ser continuado em Portugal à custa do voluntariado. Uma prova de Formula 1 movimenta milhões de euros e não é legítimo pôr jovens a trabalhar de graça para engordar as contas da Formula One Management ou de outra empresa qualquer.

O trabalho grátis não dignifica e a prova de Formula 1 do Algarve não é um rally paper. O Instituto Português do Desporto e Juventude não deveria promover estes golpes. Só falta agora aproveitar a embalagem dos automóveis e meter o presidente Marcelo Rebelo de Sousa a pregar uma condecoração na prova de Formula1. E outra no Bernie, que se prepara para chupar na mama dos portugueses

1 comment

  1. Meu caríssimo RR,
    o Carlos despertou-me para a leitura deste seu blog Duas Linhas e nele encontro temas muito interessantes como aquele que abordas aqui sob o título “Uma grande mama no Grande Prémio de Portugal”.
    Nos 12 anos (1984 a 1996) em que a Fórmula 1 veio a Portugal na segunda fase, creio que sabes que fui o responsável pelo Gabinete de Imprensa. Tive sempre uma equipa de entre 15 a 20 elementos, para quem, nas reuniões que antecediam as corridas, eu pedia uma verba destinada a pagar-lhes um “cachet”. Essas reuniões, juntavam vários elementos do topo da organização, tanto do ACP sob a tutela de César Torres, como da F1 e eram presididas por Bernie Ecclestone, um gentleman muito correcto sempre e rigoroso nas contas. Mas aprovou sempre os meus orçamentos. Nos dias das corridas – sexta sábado e domingo – ele chamava-me ao seu autocarro-escritório indagando como estava a decorrer o processo de acreditação e outros assuntos (montagem dos telexes, linhas telefónicas, parqueamento das viaturas dos jornalistas, televisão) e perguntava sempre se eu precisava de alguma coisa.
    Um dos problemas que eu tinha todos os anos era a avalanche de pedidos de jovens para trabalharem em qualquer coisa só para estarem dentro de um Grande Prémio de F1, que, como sabes, produz um forte apelo sobre eles. Alguns acabavam por ser seleccionados para as mais diversas tarefas, desde que pudessem pendurar a credencial que lhes dava a desejada entrada no núcleo da F1.
    A questão da utilização de voluntários em actividades desportivas aconteceu sempre, nas mais variadas modalidades assim como em grande eventos e congressos. Acaba por ser uma boa ocasião para os jovens entrarem num mundo desconhecido onde, eventualmente, até poderão encontrar a sua vocação profissional para o futuro.
    Como sabes, a F1 actual já não tem nada a ver com o que foi naqueles tempos. O poderoso grupo financeiro Liberty Media comprou os direitos do negócio à CVC (Capital Partners) em Setembro de 2016, pelo valor de oito mil milhões de dólares. Bernie Ecclestone foi convidado a ficar com eles durante três anos, portanto até 2019 ao fim de cujo prazo se desligou completamente. O CEO da Formula One Group que gere actualmente a F1 é o americano Chase Carey que, aliás, está de saída para se aposentar.
    Um Grande Prémio de Fórmula Um é composto de três entidades principais – a F1 representada pela empresa que detém o negócio e a autoridade desportiva nacional mais os representantes do autódromo do Algarve, que é dirigido pelo engenheiro Paulo Pinheiro.
    Grande abraço, meu amigo e companheiro, continuação de boas crónicas.
    Helder de Sousa

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