Temos o melhor cavalo e não usamos

0
805

Tenho uma amiga que adora andar a cavalo. É uma coisa cara, porque no nosso País não existe o hábito de partilhar a montada.  Nem a montada nem nada. Apesar de termos o melhor cavalo do mundo: o Lusitano. Por cá, quem tem um cavalo está servido e faz figura de Sidónio Pais.

O Lusitano é considerado um dos melhores cavalos no mundo para passeio. Em Espanha chamam-lhe Andaluz. Em rigor existem os dois, mas de costas viradas, como é hábito entre os portugueses e os outros povos de Espanha.

O cavalo Lusitano é apreciado pela docilidade, inteligência e suporta muito bem o mau feitio da minha amiga. São bons em alta-escola, obstáculos, atrelagem e, em especial, equitação de trabalho. Diz-se ter sido o primeiro cavalo de sela, há 5 mil anos. Exagero nosso, talvez.

Todos os anos são exportados centenas de cavalos lusitanos. Cerca 80 por cento dos que nascem. Não se sabe ao certo. Ao todo estão registados mais de 300 produtores. Entre eles, inscreveram-se José Eduardo Moniz, o mago das TVs, Pedro Ferraz da Costa, ex-presidente da CIP, e José Manuel de Mello, grupo CUF. Agrupam-se na Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano.

Portugal tem excelentes prados. São mais baratos e melhores que os campos de golfe, enormes sorvedouros de água sem fim.

Mas os picadeiros só serão rentáveis com muitos cavalos. E os cavalos só são bons, se forem regularmente montados. Os nossos miúdos iam gostar de partilhar um cavalo dócil e acessível. No caso, o melhor cavalo do mundo. Aquele que faz tudo de boa vontade. O Lusitano.

Ficariam mais felizes quando soubessem que os cavalos lusitanos foram utilizados na produção do filme do Senhor dos Anéis.

Mas por infelicidade quem pode e tem dinheiro em pacotes nos Bancos, prefere o caddy de golfe. Dá menos trabalho, não consome palha, nem gasta veterinário e, sobretudo, não é partilhado. 

Podíamos ter um grande negócio, com muitas centenas de postos de trabalho e milhares de felizes praticantes de equitação. Mas nunca teremos. Ao contrário de muitos ingleses, belgas e franceses, nós achamos que partilhar é coisa de pobre.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here