A culpa do mau ensino é dos professores

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O recomeço das aulas volta a gerar grande ansiedade em pais e alunos sufocados com um sistema que privilegia o marranço e o “bico-calado”.

Já há muitos anos, José Veiga Simão, Ministro da Educação nacional (1970-1974) no governo liderado por Marcelo Caetano, percebeu a gravidade desta praga.

Eu era rapaz. Trabalhava no Ministério. E os encontros de elevador com o senhor ministro a caminho do oitavo andar, rechearam-me de bons conselhos e de dúvidas sobre os professores.

Veiga Simão aspirava por criatividade e detestava os licenciados à procura emprego… como professores, por exemplo.                             

Segundo arquivos reservados de Marcelo Caetano, Veiga Simão era membro do extinto Movimento Democrático Português e amigo pessoal de Almeida Santos, fundador do PS.                                                      

A “Primavera Marcelista”, antes do 25 de Abril de 1974, abriu portas aos jovens para os cursos técnicos e para o liceu. A abertura aumentou imenso o número de professores.

Dessa fornada saiu Manuel de Gusmão, uma excepção à regra dos que apenas queriam um ordenado.

Manuel de Gusmão, hoje um poeta e ensaísta, tradutor e professor universitário, era um incentivador, um conversador, um verdadeiro pedagogo. Igual a muitos que nos deixaram saudades e nos abriram o caminho do pensamento livre e da escrita criativa.

Os outros do ordenado debitavam matéria. Infelizmente, esta última tendência prevaleceu e foi catastrófica para o País que hoje temos.

Aulas de 90 minutos são crime

O sistema de ensino português tornou-se assim numa crueldade que afasta os alunos do prazer da cultura e da instrução. As aulas com duração de 90 minutos são um contra-senso. Ninguém consegue ficar empenhado numa tarefa durante tempo tento, sentado e para mais em idade jovem.

A culpa é de quem? A culpa é dos professores que não explicam isso ao senhor Mário Nogueira, ditador estalinista, que fez da FENPROF uma versão sindical dos guardas soviéticos.

Infelizmente os professores renderam-se a essa falsa protecção da FENPROF e aceitaram ser professores-administrativos, que passam a vida a fazer cursos de formação, fora de horas e pagos do bolso de cada um deles.

Os professores afastaram-se do dialogo e preferiram debitar matéria o tempo todo, sem queixa ou lamúria. Embarcaram na aberração de aulas de 90 minutos.

Tudo o que debitam está ao alcance de um clique num motor de busca na internet. Descuram a interpretação, a comunicação e o estímulo.

O ditado “ensina a pescar em vez de dar o peixe” não fez escola no pensamento do senhor Mário Nogueira que ninguém ousa enfrentar.

Os professores são na sua maioria gente com medo, torturada pela precariedade, semprte de mala-feita para andar de de terra em terra.

E quanto mais lhes malharem, mais medo terão. Do ministério e da FENPROF.  Vivemos em democracia. Mas na Educação estamos no “País dos Sovietes”, por culpa dos próprios professores.

Aulas de 90 minutos!?

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