MORREM DOIS EM VALE DE JUDEUS

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Em 48 horas morreram dois reclusos no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus. Segundo fonte interna desta cadeia, as duas mortes poderão estar relacionadas, uma vez que nos dois casos existirão evidências semelhantes na sintomatologia clínica. Nas duas situações, os reclusos apresentaram problemas intestinais agudos, nomeadamente diarreia.

No passado dia 14, um recluso ainda jovem “sentiu-se mal, com problemas intestinais graves, e os Serviços Clínicos encaminharam-no para o Hospital de Vila Franca de Xira”, diz a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, em comunicado.

No dia 16, um outro recluso, mais velho, morre na sequência de um crise semelhante. Neste caso, a APAR limita-se a constatar na sua página no Facebook que “um homem com mais de setenta anos, amputado de ambas as pernas, detido no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, morreu na sua cela, na madrugada do passado domingo, horas depois de ter regressado de uma saída jurisdicional (vulgo precária).”

A confirmarem-se as coincidências de crises agudas de diarreia nas duas situações, será urgente que os serviços de saúde existentes naquela prisão tomem as devidas cautelas, porque poderá tratar-se de algum surto de doença contagiosa.

No comunicado da APAR, relativo à primeira morte, levanta-se essa questão: “Como pode um hospital enviar um doente nestas condições para dentro de uma prisão onde, é sabido, não há gente preparada, nem equipamentos apropriados, para fazer face a uma doença grave para mais altamente contagiosa?”

Entrevistado pela rádio TSF, o secretário-geral da APAR, Vítor Ilharco, estranhou que o Hospital de Vila Franca de Xira tenha dado alta a um doente que veio a morrer poucas horas depois:

As autopsias têm de encontrar resposta capaz de esclarecer de que doença estamos a falar. E se as duas mortes poderão ter sido provocadas por contágio direto entre os dois reclusos.

Uma doença contagiosa num ambiente fechado, como é uma cadeia, normalmente com celas sobrelotadas e com condições de higiéne precárias, pode constituir um problema grave de saúde pública.

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