Com o tempo, as iniciativas do Palestine Action ganharam grande notoriedade, impulsionadas pela divulgação de vídeos nas redes sociais. À medida que crescia a visibilidade do movimento, aumentava também a preocupação das autoridades britânicas que, provavelmente pressionadas pelo Governo israelita, decidiram catalogar o Palestine Action como organização terrorista, proibiram a sua atividade e criminalizaram qualquer forma de apoio ao grupo, passando esta a ser enquadrada como apoio ao terrorismo.
Desde então, pertencer à organização, prestar-lhe apoio material ou exibir publicamente símbolos de solidariedade tornou-se crime no Reino Unido. Mais de três mil pessoas já foram detidas apenas por manifestarem apoio ao movimento ou por contestarem a decisão de o banir.
Enquanto decorrem nos tribunais os recursos destinados a contestar a classificação de terrorismo atribuída ao Palestine Action, as ruas britânicas têm sido palco de sucessivas manifestações. Os seus participantes procuram convencer a opinião pública de que está em causa uma questão de direitos fundamentais, esperando que esse debate tenha reflexo na apreciação judicial sobre o enquadramento legal da organização.

O aspeto mais surpreendente é, porém, a identidade de muitos desses manifestantes. Longe da imagem tradicional do ativista jovem e combativo, são sobretudo reformados, muitos deles já bastante idosos. Alguns chegam às concentrações em cadeira de rodas, outros apoiam-se em bengalas ou no braço de familiares e vizinhos. Formam um improvável exército de cabelos brancos, marcado pelo peso dos anos, dos reumatismos e das limitações físicas, mas determinados na defesa dos direitos cívicos e políticos e na proteção da vida de um povo indefeso.

É um exército onde há mais bengalas do que escudos, mais artroses do que músculos, mas onde continua a existir uma boa reserva da coragem necessária para enfrentar injustiças.




