FORA DO CAMPO

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Todos os grandes eventos mundiais atraem multidões, tanto para aplaudir como para aproveitar o momento para defender causas que, por vezes, nada têm a ver com o próprio evento. Durante o Festival da Eurovisão, os protestos centraram-se na participação de Israel nesse concurso musical. As manifestações foram, tanto quanto possível, censuradas ou invisibilizadas, quer nos media, quer nas redes sociais. Com o Mundial de Futebol, tudo indica que acontecerá o mesmo, embora, neste caso, seja mais difícil tapar o sol com uma peneira.

Há centenas de adeptos, talvez milhares, que não conseguiram visto de entrada nos Estados Unidos, mesmo depois de terem comprado bilhete para assistir aos jogos das suas seleções. São proibições de caráter discriminatório, bastando observar quais os países mais afetados por estas restrições: Marrocos, África do Sul, Costa do Marfim, Senegal, Haiti e Irão.

Depois, há o caso indigno da seleção do Irão, obrigada a permanecer numa cidade mexicana, junto à fronteira com os Estados Unidos, sendo autorizada a entrar no país apenas nos dias dos jogos. Entram os jogadores e o treinador, mas 13 membros da delegação iraniana viram o visto recusado pelas autoridades norte-americanas.

E o que dizer do árbitro somali Omar Artan, que também viu o visto recusado, apesar de estar nomeado pela FIFA para arbitrar um dos jogos deste Mundial? Ou do jogador iraquiano Aymen Hussein, retido durante sete horas em Chicago pelos serviços de imigração norte-americanos?

Mais do que o resultado dos jogos, interessa-me perceber como o mundo vai reagir a este tipo de prepotência. No campo, que ganhe o melhor, seja lá quem for. Fora do campo discutem-se valores muito mais importantes para a vida de todos nós.

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