SINTO-ME INQUIETO

Há profecias estranhas, premonições impressionantes, antecipações que raiam a adivinhação, coisas que mais parecem fazer parte de um plano bem delineado em curso e a que estamos a assistir, passo a passo, de modo quase imperceptível.

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Aqueles que assistiram há uns 50 anos, na televisão, à série Star Trek (O Caminho das Estrelas), lembram-se certamente de ver o comandante Kirk a falar com o computador central da nave Enterprise, sempre que surgia algum problema mais grave ou algum imprevisto que pudesse colocar em perigo a sobrevivência do grupo.

Hoje, quando falamos com a Inteligência Artificial do Google, estamos a fazer a mesma coisa. Perguntamos e a máquina responde. A máquina corrige-nos, a máquina aconselha-nos, a máquina ajuda-nos.

A tripulação da Enterprise
Gene Roddenberry, produtor da Star Trek

O que eu acho espantoso já não é a existência desta “coisa” que interage connosco, mas o facto disto ter sido antecipado por um novelista, um tipo que escrevia guiões para séries de televisão. Acho legítimo perguntarmos se o escriba imaginou mesmo ou se o guião lhe foi ditado por alguém.

Boa parte daquilo a que chamamos ficção científica e que serve de base para livros e muitos filmes de Hollywood, acaba por surgir na vida real pouco depois como avanço tecnológico. Não são apenas viagens no espaço sideral, são também os satélites civis e militares, a espionagem eletrónica, o reconhecimento facial, armas de tiro laser, automóveis sem condutor, cirurgias à distância, robots.  Hoje, pegamos no telemóvel e dizemos em voz alta “se eu perguntar alguma coisa, você responde?” e “aquilo” responde-nos…

Não sei se gosto de me sentir “comandante Kirk”. Primeiro, falta-me a Enterprise. A minha nave espacial tem 4 rodas e não passa dos 130 kms por hora. Depois, porque tenho medo do que aí vem. Se nos lembrarmos da série televisiva, sabemos que além do computador que resolvia todos os problemas, havia também um robot autoconsciente que procurava entender a humanidade, um “holograma médico de emergência” que surgia quando eles chamavam pelo “Doutor”, um programa computorizado que desenvolveu personalidade, sentimentos e ambições artísticas e um arsenal de armas capaz de destruir qualquer planeta que acoitasse inimigos.

No Caminho das Estrelas antecipou-se tudo isto. Uma parte já é realidade, a outra está a caminho de ser. Isto não pode ser por acaso. Hollywood sempre seguiu uma cartilha propagandista do American Way of Life que abarca a ação ‘benévola’ do Pentágono perante os vários inimigos que, simplificando, começaram por ser os alemães nazis, passaram depois a ser russos e são, agora, chineses.

Mas antes mesmo da série ser produzida para televisão, lembro-me de um livro que também deve ter sido escrito por algum bruxo adivinhador.

Jean Raspail escreveu Le Camp des Saints em 1970, uma história onde uma horda de imigrantes africanos e asiáticos atravessavam o Mediterrâneo em direção à Europa que os recebeu mal. O livro constrói um cenário político distópico, apocalíptico, de morte física e moral, do desaparecimento de sentimentos humanistas. Estamos também a assistir a isso.

Imigrantes desembarcam numa praia em Espanha, depois de atravessar o Mediterrâneo em embarcações precárias
Nem todos chegam vivos às praias da Europa

Tudo junto, não sei se a espécie humana vai ter um bom futuro.

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