Comecei a prestar atenção a partir daqui…
– Vês, não és alentejano. – diz um. E continua: Não é por aí, olha, para te resumir a coisa, onde estão os cabrões dos políticos quando é necessário melhorar a vida das pessoas nas vilas do interior? Onde estão, quando é necessário tratar da água para se beber? Onde estão, para facilitarem a vinda de empresas para este interior? Onde estão, para não permitirem o cultivo intensivo de espécies que não têm água para rega e a vão retirar às pessoas? Onde estão, se não para autorizarem o enterro de toneladas e toneladas de desperdícios da azeitona nos subsolos para contaminarem as poucas águas subterrâneas que existem e informam que ainda, por lei, há espaço para mais? Onde estão, quando é necessário repavimentar as estradas no Alentejo que se encontram cada vez mais miseráveis? Onde estão, quando queremos sinal na rede dos telemóveis em tantos e tantos quilómetros no Alentejo, até em todo o país, mas cá, a autoridade para as telecomunicações, serve para alguma coisa?
Pausa para recuperar fôlego.
– Escuta, exemplo, se vens de Ourique e vais para Odemira… sentes que estás a ter qualquer anomalia na tua saúde, um AVC, ou o carro avaria, ou até tens um acidente. Experimenta telefonar a pedir socorro. Onde é que está o sinal no telemóvel? Ficas apeado ou morres a esperar por socorro. Olha, lembraste, há dias, comecei a falar contigo, só uns dois ou três minutos e perdeste a rede. Porquê? Onde estão os políticos quando necessitamos de centros de saúde melhor equipados? E escolas melhoradas? E agências bancárias que não pensem só no lucro e não nos façam andar dezenas de quilómetros para tratar de um assunto qualquer? E delegações das finanças? Onde estão os políticos de pacotilha, que cortam orçamentos para a saúde, para o ensino, para as autarquias e… agora sou venenoso, os dão ao Moedas, porque vale mais uma pedra da calçada na Praça da Figueira, do que o Alentejo todo, diz-me.
Um segundo a matutar…
– Onde está a dotação financeira para o desenvolvimento desta província? E os projectos que lhe deviam caber para o seu desenvolvimento, onde estão? É só secar o aeroporto de Beja? É à custa deste interior que vive todo o litoral? Até nem é esse dito todo, porque afinal, o que conta para o país, é só Lisboa e Porto! O país é pobre, é? É! Só em algumas regiões? Ou devem ser consideradas todas por igual? Porque é que Lisboa, por exemplo, não larga a região do vale do Tejo, a área de Setúbal? É que ao orçamento geral de Lisboa, interessa em conjunto com a região de Setúbal? É que a região de Setúbal, não interessa aos Setubalenses, é? E agora, ó alentejano de adopção, o que me dizes?
Silêncio.



