Meus caros sub-nabos e nabiças em flor,
É com o coração cheio de clorofila e a mente nublada pelo vapor da panela que venho defender a nossa herança hortícola! Como ousam criticar as “boas intenções” de quem nos governa? Não percebem que a governação é como uma horta biológica? Não se faz sem estrume, e o resultado, por norma, é para enterrar.
Somos um país de nabos. Mas que falta de visão! O nabo não é um defeito, é um projeto estratégico. Se não temos agricultura de exportação, temos a “cultura de importação de nabice”. Portugal não é um país, é um caldo verde gigante onde todos boiamos, esperando que a chouriça do orçamento nos toque à porta (embora saibamos que a chouriça é sempre para os mesmos).
Dizem que o problema reside na “nabinha”, na semente. Pois eu digo que a semente é de ouro! Onde é que se encontra um povo que elege o Nabo A para se vingar do Nabo B, sabendo que ambos vêm do mesmo canteiro e partilham o mesmo adubo (pago por nós)? Isso não é estupidificação, é coerência gastronómica! Queremos que a sopa saiba sempre ao mesmo para não estranharmos o paladar da mediocridade.
Vejamos as vantagens desta nossa “Brassica” sociedade:
1. Resiliência: O nabo cresce em qualquer lado, tal como o contribuinte português sobrevive a qualquer imposto.
2. Versatilidade: O Nabo 1 (o eleitor) é o único vegetal no mundo que vota para ser descascado e ainda agradece o “sentido de Estado” de quem segura a faca.
3. Ecologia: O nosso “nabal” é tão extenso que já nem precisamos de charadas de pré-campanha. Basta um cartaz com uma foto retocada e uma promessa murcha para a rama abanar de contentamento.
Criticar os “propósitos bem-intencionados” do Governo é um atentado contra a nossa biodiversidade. Se o que é “Nacional é bom”, então o nosso nabo é de denominação de origem protegida!
Parem de pensar! O pensamento é uma erva daninha que estraga a plantação. Sigamos o exemplo da nabinha: cresçamos espontaneamente, sem discernimento, e deixemo-nos cozer em lume brando até ficarmos bem tenrinhos. Afinal, no grande banquete da Europa, alguém tem de ser o acompanhamento que ninguém pediu, mas que todos esperam que esteja no prato.
Viva o Nabal! E, por favor, passem o sal, que a realidade está difícil de engolir.
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