O CHEF DE MOEDAS

Moedas é presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Toda uma zona em franca degradação e onde o desperdício de dinheiro é absolutamente notável. Uma das suas contratações memoráreis é a de um chef para ter “refeições com serviço de qualidade superior” em eventos. O cozinheiro vai ter, durante dois anos, uma avença mensal de 1400 euros para prestar serviços em eventos promovidos pelo gabinete de Moedas.

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Imagino que o presidente da CML não saiba que a capital do país é um lixo, que as ruas estão destruídas, que o preço das casas, verdade seja dita, desde que Luís Montenegro tomou posse, ainda não parou de aumentar. A título de exemplo no que respeita aos acessos, refiram-se as ruas de Sete Rios, só porque vão dar ao Instituto Português de Oncologia (IPO). As ambulâncias andam aos saltos até chegarem ao hospital, tamanhos são os buracos das únicas ruas que ali conduzem. Há mais de 30 anos que prometeram retirar os carris da rua que vai dar ao IPO. Construíram uma ciclovia sem continuidade, mas os carris lá continuam, ajudando a esburacar a rua.

E o que faz Moedas? Contrata um chef, que, no total, custará cerca de 36500 euros à autarquia, o que significa aos nossos impostos que, naturalmente, aumentarão. Portanto, as pessoas podem não ter casa, podem não ter que comer, podem viver em barracas e entre o lixo, incluindo na Rua José Malhoa. O presidente comerá de luxo.

Num momento em que o custo de vida aumentou muitíssimo e as famílias que estavam em dificuldades estão, claramente, pobres, já percebemos quais são as preocupações dos governantes, tanto do país como da capital.

No mercado de Benfica, dizia uma das vendedoras: “se anteriormente as pessoas compravam um quilo de tangerinas, agora compram três peças de fruta; ou um quilo de batatas, agora vão três batatas. Uma senhora chegou a comprar uma banana”. E passemos pelas farmácias onde se acumulam os mais velhos que não compram medicamentos: “ou levamos remédios ou comemos”.

Por outro lado, o governo desceu o IRS dos senhorios para 10 por cento no arrendamento habitacional (em todos os que tenham rendas inferiores a 2300 euros por mês, o tecto a que o governo chamou de “renda moderada”) e 6 por cento no IVA para a construção de habitação. Em suma, o IVA de 6 por cento será concedido a quem construa casa própria, quem a construa para venda desde que o preço não ultrapasse os 660.000 euros ou a ponha no mercado de arrendamento, desde que não cobre mais do que o valor da tal “renda moderada” de 2300 euros. Espera-se que o governo e as autarquias digam onde há casas, tanto para arrendamento como para venda, por aqueles preços, tendo em conta que um T1+1, por exemplo, em Benfica custa os tais 600 mil euros e não serve para uma família de quatro pessoas. A mesma família, ainda em Benfica, paga 1750 euros por um T1 com 55 metros quadrados. Naturalmente os filhos dormirão na varanda, que não existe, ou talvez na casa da porteira que também já deixou de haver.

E todos verificam que o custo de vida continua a aumentar, com lucros para as grandes empresas e prejuízos para os cidadãos. Com lucros para os senhorios e prejuízos para quem quer uma casa para viver.

fonte Evolução do preço das casas à venda, Benfica — idealista

Enquanto isto, o que é que não aumenta? Claro, os ordenados, os abonos de família, as pensões dos mais velhos. Uns têm de ser esticados, outros vão para pagar as refeições nas escolas e os últimos é bom que morram para deixarem de ser uma despesa, sendo certo que estes foram as grandes vítimas da Troika de Passos Coelho, não tendo ainda recuperado dos cortes nas pensões então sofridos. Por isso, não será despiciendo lembrar que o Estado só engordou para gastar mal porque alguém efectuou descontos durante dezenas de anos de trabalho…

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