Durante meses, quase todos os dias, Benjamin Netanyahu surgiu em vídeos, mensagens nas redes sociais ou declarações públicas: visitas a bases militares, discursos inflamados, anúncios políticos. A presença mediática era constante, quase ritual. Subitamente, esse fluxo cessou. Foi nesse vazio que começaram a circular rumores.
Nas redes sociais espalhou-se a ideia de que Netanyahu poderia ter sido atingido durante um bombardeamento iraniano recente. Não há provas disso, mas a cronologia dos acontecimentos ajudou a alimentar a especulação. Primeiro vieram os ataques e contra-ataques na escalada entre Israel e o Irão; depois, a ausência pública do chefe do governo israelita; por fim, o silêncio.
Em circunstâncias normais, uma situação destas resolver-se-ia rapidamente. Bastaria uma aparição pública: um discurso ao vivo, uma visita a tropas, uma fotografia num evento oficial. Na política contemporânea, sobretudo em tempo de guerra, os líderes sabem que a visibilidade é também uma arma. Trinta segundos de televisão bastaria para dissipar qualquer dúvida. Mas esse momento não aconteceu, ainda.
O gabinete do primeiro-ministro limitou-se a afirmar que Netanyahu “está bem”. Uma frase curta que contrasta com a magnitude dos rumores que circulam. A resposta é insuficiente.
A CENSURA MILITAR ISRAELITA
Parte da explicação pode residir no sistema de censura militar existente em Israel. Em períodos de guerra ou de ameaça à segurança nacional, as autoridades podem impedir a divulgação de determinadas informações pelos media. Mas é raro que esses cuidados cheguem ao ponto de esconder o líder do país.
Se Netanyahu estiver morto ou ferido, isso seria uma vitória para o Irão. Primeiro, porque deitaria por terra o mito da invencibilidade militar israelita e significaria que o Estado israelita não consegue sequer proteger o seu líder. Ora, será muito difícil que Israel venha a admitir isso. Se Netanyahu estiver escondido num bunker, isso significaria que Israel considera real a ameaça contra a sua liderança. Uma outra derrota, embora simbólica. Um primeiro-ministro escondido é também um primeiro-ministro que teme o inimigo. E numa guerra de narrativas, o medo tem sempre um preço.
Entretanto, o Presidente do Irão surgiu em inúmeras fotografias e vídeos, na rua, misturado com populares, num dia em que os iranianos celebravam o feriado dedicado à causa da libertação da Palestina.

Por agora, nada prova que Netanyahu tenha sido atingido. Os rumores podem ser apenas produto da propaganda e do caos informativo típico dos conflitos modernos. Mas também é verdade que, enquanto o primeiro-ministro israelita não reaparecer de forma clara e pública, o silêncio continuará a alimentar perguntas.
Aceitam-se apostas. Netanyahu está vivo, morto, ferido ou apenas acagaçado com a possibilidade de que possam fazer com ele o mesmo que ele fez a muitos outros?



