PALESTINA

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O drama dos palestinianos emudeceu. Não porque as matanças tenham cessado, mas porque foram reduzidas à escala que permite continuar o genocídio sem provocar grande alarme mediático. Apesar do cessar-fogo proclamado por Israel, os palestinianos continuam a ser mortos diariamente, a tiro e à bomba.

Na Cisjordânia, intensificaram-se os assaltos e a ocupação de propriedades palestinianas, as vendas forçadas, a expulsão de comunidades inteiras. Nesta parte da Palestina, os principais centros urbanos estão cercados por muros altos que confinam populações, estrangulam a economia e transformam cidades em prisões a céu aberto.

Nada disto é desconhecido. O que hoje acontece é a continuação do que tem acontecido todos os dias há mais de 70 anos. Mas continuamos a assistir à inutilidade e à falência da política e do direito internacionais. O que se passa é inaceitável: a impunidade de quem executa a morte lenta de um povo e o compadrio de quem se limita a lamentar e a “repudiar”, em declarações vazias, sem consequências, tão vergonhosas quanto cobardes.

Entretanto, o chinês vendeu o TikTok a um americano amigo de Trump; os algoritmos continuam a funcionar às mil maravilhas no Facebook, no X e noutras redes igualmente armadilhadas. A Palestina deixou de aparecer nos feeds. E, no mundo digital, o que não aparece fica esquecido.

2 COMENTÁRIOS

  1. Mui oportuna chamada de atenção, mormente para quem ande distraído. As «ordens superiores» dadas aos algoritmos tudo distorcem a seu bel-prazer. E o povo que engula. De resto, também neste caso das cheias e inundações, não fora o pessoal de cada terra fazer passar vídeos como quem não quer a coisa, de nada se sabia. Haveria terras «abençoadas» onde a chuva não tinha caído em abundância nem os matos que retinham as águas das bacias hidrográficas das ditas pequenas ribeiras (que ora desejam ser grandes) estão a ser fortemente urbanizados com caves e subcaves para estacionamento automóvel, primorosas candidatas a ficarem inundadas e, depois, aqui d’el-rei! Mas o rei lavou as mãos, como Pilatos, e até é capaz de se desculpar com os pareceres dos seus técnicos («eles é que estudaram!!!»). Pois então da Palestina nada se sabe, está tudo ‘azul e na maior’!!!…

  2. Às parangonas nos jornais e destaques em televisão, é costume suceder-se a normalização/banalização até dos actos mais reprováveis.
    É certo que há muito para onde correr. O mundo é um lodaçal. A concentração do capital dita as regras, ou a hierarquia de valores. O Jornalismo, onde se aprende que a transparênciia, a ética e a moral deviam merecer o primeiro lugar, depressa se torna refém da hipocrisia, do interesse imediato, da indiferença daqueles que dominam este e outros sectores fundamentais ao controlo, salvo raras excepções a alto preço.
    Quanto me lembro das palavras de Martin Niemöller tantas vezes adaptadas de formas diferentes, sem se lhes alterar a raiz do conceito! Bastaria pensar nelas. Mas até o acto de reflexão parece ter dado lugar a máquinas de destruição sem espaço/tempo para um pensamento justificado.
    A humanidade é um conceito em declínio. E no entanto inteligência humana não falta…

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