BANDITISMO EM TERRITÓRIO DIGITAL

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Um jornalista luso-angolano ficou recentemente impedido de aceder à sua conta pessoal de Facebook. O nome associado ao perfil foi alterado, o acesso bloqueado. Quando a META passa o tempo a propalar que “defende os interesses da comunidade” não se refere nunca a este tipo de situações, em que, de facto, os utilizadores das redes sociais são afetados. O episódio não é excecional. É sintomático.

A Meta governa hoje espaços que funcionam como verdadeiras praças públicas, mas aplica-lhes regras privadas destinadas a defender os seus próprios interesses comerciais, unicamente. Essas regras são executadas por sistemas opacos e dificilmente contestáveis. Um utilizador pode ser penalizado repetidamente por alegadas “violações dos padrões da comunidade” sem saber exatamente o quê, quando ou porquê. As decisões acumulam-se; as explicações não. O problema não é técnico. É político, porque a META mistura os seus interesses comerciais com alinhamentos políticos, como se constata com as publicações que criticam as políticas genocidas de Israel, por exemplo.

O CASO DE ORLANDO CASTRO

Quando plataformas privadas podem bloquear identidades digitais, alterar dados pessoais e condicionar a atividade pública de cidadãos – incluindo jornalistas – sem transparência nem responsabilidade, o desequilíbrio de poder é evidente. A ideia de recurso existe no discurso, mas na prática dissolve-se em respostas automáticas.

Enquanto for assim, qualquer utilizador sabe que pode deixar de existir digitalmente de um momento para o outro, não por decisão judicial mas porque um sistema informático assim o decidiu.

Nos casos em que as contas de utilizadores foram tomadas de assalto por hackers, bandidos informáticos, umas vezes é para serem utilizadas em esquemas ilegais, normalmente burlas online, outras vezes apenas para evitar que continuem a publicar. É o caso de páginas pertencentes a jornalistas, que usam as redes sociais para ampliar o alcance do que publicam em meios de comunicação tradicionais.

O bloqueio da página de Orlando Castro pode ser um desses casos. Grupos organizados na defesa do MPLA e do Governo de Angola são os suspeitos de terem invadido a página e de a manterem sob ocupação. O certo é que o hacker se autodenomina Meta Centrol AI. Para as abordagens, estes piratas informáticos utilizam preferencialmente o Messenger. O que faz a META para proteger os utilizadores das suas redes sociais? Pouco. Disponibiliza uns formulários que a maioria desconhece existirem, demora a reagir ou reage com… silêncio.

De momento, a página deste jornalista desapareceu, como comprovei numa busca efetuada.

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