Apenas na Suécia é possível encontrar um museu dedicado a um falhanço rotundo, a um empreendimento mal construído que resultou numa vergonha nacional. Falamos do Museu Vasa, dedicado ao maior navio da armada da Suécia, construído no século XVII.
Vasa é um navio de guerra, o maior da sua época. Na sua construção, o rei Gustavo II chamou os melhores arquitetos navais do reino, os melhores carpinteiros, os mestres da calafetagem, os escultores e os pintores, todos os que iriam fazer, em conjunto, o mais poderoso navio de guerra da época. O rei quis um navio com dois decks para artilharia, quis mastros altos e muito pano para apanhar vento que o levasse com rapidez a cruzar os mares. O navio foi baptizado “Vasa”, o nome da dinastia que naquela época governava o reino.
Nada disto impediu que o navio afundasse na viagem inaugural, depois de ter navegado apenas cerca de 1 milha desde o estaleiro em que foi construído e lançado à água, em Estocolmo. Estava bom tempo, soprava uma brisa amena, mas o navio foi mal construído, adernou de tal maneira que começou a meter água pelas portas dos canhões e foi ao fundo num ápice. Morreram cerca de 50 marinheiros. Foi uma catástrofe para o reino, uma vergonha nacional quando a Suécia guerreava com a Polónia pela expansão do seu império territorial.
Durante 300 anos o Vasa ficou a 30 metros de profundidade, as correntes e as marés enterraram o naufrágio sob uma espessa camada de lama. Até que um dia deram com o navio e o retiraram do fundo do mar, numa extraordinária operação de recuperação dos destroços e de preservação da relíquia. É um imponente testemunho de outras épocas, o maior e mais bem conservado navio do século XVII que existe em todo o mundo.

O Vasa impressiona por estar praticamente intacto, pelo trabalho de preservação que foi feito das madeiras de carvalho que foi utilizado na sua construção, pelo espólio que foi igualmente recuperado, desde equipamentos da palamenta do navio até aos esqueletos dos que com ele foram para o fundo.
Não deixa de ser o retrato de um fracasso, mas até nisso há uma espécie de grandeza do povo da Suécia, que soube aprender mesmo quando as coisas correram demasiado mal.




