A caça ao voto chegou à EMEL. É o regabofe total em Lisboa com os responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa (CML) a recomendarem aos funcionários da EMEL que não multem os habitantes da cidade. Quer isto dizer que, quem tiver dístico de residente numa zona, mesmo que estacione do lado oposto da capital, não será multado, pelo menos nas próximas duas semanas.
É o bónus da campanha eleitoral de Carlos Moedas a ver se votam nele. Pensa o presidente da Câmara que quem vive em Lisboa é tolo e se deixa enganar. Mas, atenção, porque quem não vota na cidade continua a ser penalizado, se puser o pé em ramo verde, quer dizer estacionar mal o veículo. Neste sentido, quem for multado, deve invocar a Constituição da República, que diz que todos somos iguais perante a Lei, e processar a CML…
Assim, os funcionários que habitualmente fiscalizam, foram deslocados para os tuk-tuks, o que representa algum descanso nos quilómetros percorridos a pé diariamente. Em compensação, os mais de cem funcionários, por turno, estão concentrados nos tuk-tuks. Ao menos estes podem ser multados se estiverem fora do estacionamento próprio ou circularem onde não devem.

Também muitos dos trabalhadores dos bloqueadores estão de ‘férias’, mas aqui há critérios diferentes nas escolhas, dependendo das zonas onde exercem funções. Nesta circunstância, também os rebocadores beneficiam da ‘benevolência’ dos dirigentes da CML.
Naturalmente, estas ordens são verbais. Ninguém se compromete a pôr no papel uma directiva desta natureza. Tudo é comunicado nos briefings aos trabalhadores. Alguns são diários outros são semanais. Mas o que se sabe é que, na sexta-feira, houve reuniões gerais em que esta ordem foi dada.
Já se sabia que, para Moedas vencer as eleições, vale tudo – até um buraco na Estrada de Benfica, aberto desde Junho, está agora em vias de ser tapado – mesmo pôr trabalhadores da EMEL de ‘férias’ e outros de ‘descanso’.



