VALE TUDO NA POLÍTICA

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O secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, chamou “burra do caralho” e “esta gaja” a deputadas do PS. A um adversário político do sexo masculino, o desabrido governante madeirense apelidou o deputado Rafael Nunes, do JPP, de “bardamerdas” e “palhaço-mor”.

Pelas gravações difundidas por órgãos de comunicação social e na redes sociais, o secretário do Governo Regional não parecia estar alcoolizado, mas nunca se sabe.

Um protesto formal foi apresentado pelo partido visado, mas o governante defendeu-se com o velho argumento do “calor da discussão política”. Já o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, desvalorizou o caso, falando em exagero dos jornalistas e mantendo Eduardo Jesus em funções.

Este episódio marca uma inflexão grave no tom do debate político em Portugal. Até aqui, os confrontos parlamentares, ainda que acesos, obedeciam a uma regra tácita de respeito institucional. Havia acusações, insinuações, ironias, mas o insulto rasteiro, ordinário e abertamente misógino era evitado. Agora, parece que isso também passou a ser aceitável.

A complacência de Miguel Albuquerque transmite um sinal perigoso: de que vale tudo. Se ofensas deste calibre forem normalizadas, não se trata apenas de um desrespeito pelas pessoas visadas, mas de uma ofensa à dignidade da função pública e aos cidadãos que esperam elevação no discurso político.

A fronteira entre o debate democrático e o populismo boçal esbate-se assim, perante a indiferença dos que deviam dar o exemplo. A política deu mais um passo rumo à degradação.

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