COMEÇARAM A VIRAR O BICO AO PREGO

Parece que, finalmente, os organismos da UE começaram a pressionar Israel para acabar com a matança de pessoas em Gaza. A mudança de atitude deve estar relacionada com a aparente sensibilização do Presidente dos EUA para o genocídio em execução a mando do governo israelita. Como consequência, temos tido, agora, mais notícias sobre a situação em Gaza. A diferença é notória, pena que chegue tão tarde para tantas vítimas palestinianas.

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Nas últimas semanas, vários países europeus e algumas instituições da União Europeia têm endurecido o discurso contra a atuação de Israel, exigindo cessar-fogo imediato e responsabilização por possíveis crimes de guerra. Este posicionamento mais firme parece estar, de facto, ligado à crescente pressão internacional.

Demasiado tarde, a Europa acorda para o genocídio dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia. O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, António Tajani, acaba de dizer que Israel tem de parar com o genocídio e que os palestinianos não podem continuar a morrer. “É preciso dizer basta ao governo israelita.Parem com os ataques”.

Demasiado tarde, os países árabes acordam para o drama dos palestinianos. Na cimeira da Liga Árabe, o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia Al-Sudani, disse que foi criado um fundo financeiro para a reconstrução de Gaza e do Líbano na sequência dos ataques israelitas e que este genocídio atingiu um nível de horror sem paralelo em todos os conflitos da história.

Demasiado tarde, a Europa acorda para o genocídio dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia
Demasiado tarde, os países árabes acordam para o drama dos palestinianos.

A utilização mais frequente da palavra “genocídio” por figuras públicas e por organismos internacionais, algo que há poucas semanas era evitado, reflete essa viragem. Também o aumento da cobertura mediática sobre o sofrimento dos civis palestinianos — fome, bombardeamentos, deslocamentos forçados — está a pressionar governos a reverem o seu alinhamento tradicional com Israel.

Se tudo isto se confirmar em tempo útil, será a vitória de um povo que apenas tem tido uma arma: as câmaras de vídeo. Os relatos incessantes dos jornalistas palestinianos serão a chave para a reviravolta na chamada comunidade internacional, incapaz de suportar o peso político de um genocídio que está a acontecer à frente de todos nós.

Outros dizem que a mudança se deve a um avião no valor de 400 milhões oferecido pelo Qatar a Trump. Uma ironia pertinente, dadas as contradições que marcam o discurso do atual Presidente dos EUA, um dos maiores aliados de Israel como Presidente dos EUA. Foi no seu primeiro mandato que os EUA reconheceram Jerusalém como capital de Israel. Agora, depois de ter cortado fundos à UNRWA (agência da ONU para os refugiados palestinianos), depois de ter anunciado um projeto imobiliário para Gaza que implicava a expulsão de todos os habitantes, agora há sinais de mudança no discurso de Trump.

Acontece que mesmo Trump, que despreza o politicamente correto, consegue perceber que continuar a defender Israel sem nuances está a tornar-se insustentável à medida que imagens de destruição em Gaza circulam e relatórios sobre possíveis crimes de guerra ganham peso.

Países como a Arábia Saudita e o Qatar, com os quais Trump e a sua família têm ligações económicas conhecidas, podem também estar a exercer influência discreta, sobretudo para evitar que o conflito em Gaza prejudique as suas próprias agendas regionais e diplomáticas.

Pai, mãe e filho mortos num bombardeamento israelita na cidade de Gaza
Campanha mediática apela a Trump para acabar com o genocídio em Gaza

Seja o que for, conseguiram por Trump a dizer que “as pessoas estão a morrer de fome” e a defender o envio de ajuda humanitária para Gaza. E a última notícia de hoje é sobre o reatamento das negociações entre Israel e o Hamas. Vale o que vale, Netanyahu é mestre no engano e sabe que não se pode render sob pena de ir parar à prisão.

Claro que a retórica mais “sensível” de Trump é, muito provavelmente, uma manobra tática. Ele continua a desprezar os direitos dos palestinianos, o direito a um Estado livre e independente. Trump mantém a ideia de transformar Gaza numa zona controlada por potências externas. No fundo, a lógica colonial de dominação e exclusão mantém-se. Só muda o tom, não o conteúdo real da política.

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