HÁ QUEM NÃO GOSTE

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“Sobre ostras. Adoro. O debate dos vinhos era seríssimo, a minha colega, economista, dirigente nas manifs, que foi deputada local, queria vinho tinto fresco – eu ibérica me confesso, não bebo tal coisa – sabe-me a refresco. Gosto do tinto a 19 graus, de inverno até o junto à lareira. Com camaradagem debatemos o tema, é óptimo falar do que gostamos.”

“Na realidade confesso que me envergonho de ver as pessoas que trabalham nos supermercados, que transportam as pessoas que trabalham nos supermercados, que ensinam os filhos de quem aí trabalha, e quem trabalha na saúde destas pessoas e delas cuida, a comer mal e cada vez pior. Enquanto os detentores dos supermercados abrem restaurantes onde se come foie gras todos os dias e champanhe a 30 mil euros a garrafa. E onde se debate com intensidade como ilegalizar greves, e atacar quem as defende.

O jornal Público, detido por um grupo empresarial que este ano teve um lucro líquido de “342 milhões de euros” fez reportagens sobre como combater o frio com uma manta e chá. Não há jornal nenhum – porque em Portugal não há jornais que pensem e defendam quem trabalha – que não ensine a quem trabalha “a poupar muito e pensar bem” enquanto enaltecem as virtudes dos CEOs que ganham na TAP e em todo o lado 30, 40 e 50 mil euros por mês.”

“Um sistema de justiça decente tem várias camadas destinadas a assegurar que os culpados são condenados de forma proporcional e os inocentes podem prosseguir as suas vidas sem nenhum tipo de restrição. Não sendo 100% perfeito, é de tal forma garantístico que duas ou três instâncias podem anular decisões anteriores.

Os tribunais populares não têm tais luxos.

Entre estes avulta atualmente o tribunal da comunicação social, em que o juiz e carrasco és tu, o júri é composto pelos teus pares, a acusação está a cargo de quem escreve nos jornais e comenta nas televisões e a sala que pateia é o Facebook e o Twitter.”

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