Depois da inevitável paragem devido à malfadada pandemia do coronavírus, lembrei-me que, este ano, seria interessante tentar fazer um rastreio para cuidar das minhas cordas vocais. Afinal, parecendo que não, oito horas diárias quase ininterruptas a falar com pessoas é um esforço bastante puxado para estas “meninas”.
As cordas vocais são duas pregas musculosas no interior da laringe, e que o som que é a voz resulta da expulsão do ar e da vibração das cordas, entre outros fenómenos que envolvem o cérebro, os pulmões, o diafragma e o tórax.
A Unidade da Voz do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, promoveu entre os dias 11 e 14 de Abril esta iniciativa. Marcação online, formulário preenchido, apresentei-me à hora marcada. Descobri que era uma de 12 pessoas que resolveu marcar presença.
O LARINGOSCÓPIO…
Enquanto esperavam pela sua vez, os participantes nesta iniciativa “Ergue a Tua Voz” (belo lema, devo dizer) podiam ver os vários cartazes informativos sobre os péssimos efeitos do tabaco nas cordas vocais, ou sobre doenças que podem afetar as cordas vocais.
Todos os profissionais de saúde envolvidos usavam touca, bata e “sapatas” de proteção, a inevitável máscara e luvas. Mau grado o profissionalismo de quem fez o exame com a maestria de quem já anda nisto há bastante tempo, o incómodo (mais do que dores, devo dizer) foi de tal ordem que ela tinha de me lembrar para respirar, o que foi fácil… depois de ter “vomitado” o laringoscópio e ela ter soltado a minha língua, a qual tinha de estar apertada para que o laringoscópio fizesse o seu trabalho. Como disse, e há testemunhas, foi muito complicado, e com a agravante de ter de fazer sons agudos para testar o estado das ditas cordas vocais. A coragem fugiu mais depressa do que a duração do exame. Boas notícias: as cordas vocais estão em bom estado, tirando algumas secreções que podem ser reação alérgica a algo (será deste clima em constante mudança?).

Uma terapeuta da fala pediu-me logo a seguir para fazer exercícios inusitados, como inspirar e dizer as letras “S”, “Z” e “I” enquanto tivesse fôlego, tudo controlado pelo útil cronómetro do telemóvel. A pedido, outra terapeuta aconselhou-me o que fazer para manter as cordas vocais em boas condições. Para além da regra sacramental (nisso, estou safa, detesto o fumo do tabaco) e de beber muita água, exercícios de aquecimento antes de começar a atender telefonemas, e de “desaquecimento” depois de terminar o dia de trabalho.
Sobre os exercícios de aquecimento, assegurou-me a amável terapeuta que bastam três minutos diários. Para quem gosta de gatos, o simples ronronar em voz baixa pode ajudar. Isso mesmo: imitar o som característico dos felinos é uma estratégia, com o aval de uma das terapeutas da fala que acompanhava os participantes.



