REFLEXÕES SOBRE A (in)JUSTIÇA

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O que é a Justiça dos homens? Quanto à justiça divina, sabemos que a mesma existe para quem acredita e tem a fé suficiente para interiorizar que, numa outra dimensão, será, sempre, feita.

O pior é com a Justiça dos homens, até porque ela é feita por homens, algumas vezes com o desvario de estarem ungidos do poder divino de aplicar na Terra o que Deus aplica no Céu.

E esses homens que governam e aplicam a Justiça, que nunca erram, que se deitam sem dúvidas existenciais quanto à sua actuação em defesa da sociedade, quando chegarem lá, onde todos nós, quer acreditemos, quer não, teremos de pagar a conta final, qual será o seu saldo? Terão um saldo credor ou devedor?

Quando o Mundo atravessa uma crise de valores tão profunda, em que a vida humana deixou de ter qualquer significado, não será tempo de parar para pensar qual a essência que se deve proteger? A vida ou o património? Os valores que podem fazer renascer a sociedade, potenciar um desenvolvimento harmonioso dos nossos jovens ou os bens materiais? Será justa uma lei que privilegia o património à vida, ou que lhe dá a mesma relevância?

Já pensaram porque é que aumentou a violência nas escolas? Porque é que os crimes violentos, típicos de uma sociedade desenraizada, como a dos Estados Unidos, se transportam para a ‘velha Europa’, a tal de uma cultura secular?

Quem tem a culpa desta situação? Serão os pais? Os governantes? Os detentores do poder económico? Os detentores do poder judicial?

Qual a solução? Entregar o poder aos magistrados, como aplicadores e garantes da Lei? E quem é que passaria a fazer as leis?

Será que o poder corrompe? E a impunidade? E a impunidade total? Vejam o que se passou no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos com a impunidade da despenalização de um jogador a pedido de Trump. E a irresponsabilidade é um valor ou uma forma de exercício do poder total?

Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?

A resposta para todas estas questões pode não ser politicamente correcta e, essencialmente, desagradar às corporações de interesses que se instalaram no Estado e que não vivem preocupadas com os cidadãos, mas tão somente com os seus mesquinhos poderes fácticos.

Eu, por mim, confesso que não sei se vale a pena encontrar essas respostas.

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