O VELHO HOSPITAL DE VISEU

É HOJE UMA POUSADA

0
2
Viseu. Fachada principal do antigo Hospital da Misericórdia (séc. XVIII-XIX)

Quem olhar de longe esse gigante alcandorado num vizinho morro da velha cidade – onde havia dantes, plantado, um olival – quem olhar das bandas de nascente há-de pensar que ali se levanta, desde há anos sem conto, uma fidalga moradia.

Quem olhar logo repara na larga escada de acesso, que conduz a um terreiro resguardado; logo repara na nobreza de um pórtico sobre o qual pousa, solene, um varandim, um brasão no tímpano e as alegóricas figuras de eleição postadas na cimalha.

Mas não é assim.

Ali pousa, e mais de dois séculos já lá vão, ali pousa o Hospital que a Santa Casa da Misericórdia de Viseu mandou levantar, obediente ao seu Compromisso, outorgado à boca do século XVI, assim cumprindo a missão de Assistir aos enfermos, como lhe ditava o Catecismo.

Obra ingente que esta obra foi, requerida em sentida exposição dirigida ao Rei, a 22 Maio de 1793, quando havia já sido solicitada ao renomado arquitecto portuense, Teodoro de Sousa Maldonado, a planta que já fora aprovada em Sessão da Mesa de 19 de Maio desse mesmo ano.

Estava decadente o velho Hospital das Chagas, os tempos eram novos, a ciência e a técnica já se uniam, emergentes, para cumprir esse humanístico desígnio de sarar feridas dos homens, de alongar as suas vidas.

Iniciada a obra, logo teve de suspender-se, em 1810, devido às dificuldades trazidas pelas invasões napoleónicas. Retomar-se-á em 1825, avançando depois ao ritmo dos recursos alcançados e, em 1842, receberá os primeiros doentes, ainda que as obras estivessem longe do seu termo.

Fizeram-se, mais tarde, alterações à planta desenhada e delas resultou esse excepcional corpo de quatro pisos, que a despojada fachada principal de clássica matriz não nos mostra. A uni-los uma ampla escadaria, que dá acesso aos serviços instalados naquelas nobres alas, que circuitam esse jeito de claustro, onde entra a luz do sol e o saudável ar que vem da serra.

Cumpriu sua missão esta casa que, em 1963, ficou sob a titularidade de S. Teotónio quando, em 1997, abriu na cidade, cuja geometria se alargava, o moderno Hospital Distrital de Viseu. E o hospital que, ao tempo, o Estado governava, voltou à inteira posse da Santa Casa da Misericórdia, que outro destino lhe consente. Um ambicioso projecto levado a cabo pelo arquitecto Gonçalo Byrne transfigura a casa, adequa-lhe os espaços, alteia-lhe um piso e, no ano do Senhor de 2005, o Grupo Pestana inaugura ali a luxuosa Pousada que mantém, salvaguardada, a dignidade da fachada, honrada a velha missão, respeitados os sonhos de quem a inicial casa levantou.

VISEU. Pousada. Grupo Pestana. Fachada principal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui