Não morreu apenas o português mais velho em Timor-Leste (tinha 105 anos de idade), morreu alguém a quem Portugal deve muito por aquilo que fez na antiga colónia asiática. O Estado português sabe da obra cultural erguida pelo padre Felgueiras pela língua portuguesa, pela dignificação de uma presença pós-colonial, pagou-lhe com medalhas e condecorações, embora todos saibamos que o padre Felgueiras teria preferido dinheiro para construir escolas.
Sempre foi uma pessoa discreta, despojada, não gostava de publicidade e era preciso ter algum engenho e sorte para conseguir que aceitasse ser entrevistado.
Consegui fazê-lo em 2012, quando produzi e realizei um documentário no âmbito de um projecto do Instituto Camões que deveria ter sido exibido na RTTL (televisão pública de Timor-Leste) e nunca foi, como não foi nenhum dos que foram feitos para essa série documental.
Os idiotas que na altura dirigiam a RTTL eram tipos que não gostavam que Portugal andasse por ali a gastar dinheiro com eles. Aceitavam carros e equipamentos comprados pela Cooperação portuguesa, mas conteúdos informativos para a rádio e televisão em língua portuguesa eram rejeitados.
Mas se quiserem conhecer o padre Felgueiras, um homem com uma história que se confunde com a história de Timor-Leste, o documentário está visível no YouTube, neste link.



