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Tão imbuídos estamos de anúncios a toda hora e de todo o feitio que, a maior parte das vezes, já lhes não ligamos a importância desejada pelos anunciantes. Então, nas emissões televisivas, quando chega a publicidade, acto contínuo se pega no comando para baixar o som.

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Nas paredes da romana Pompeia, a força destruidora das lavas do Vesúvio não foi capaz de apagar, nesse trágico dia 24 de Agosto do ano 79, as inscrições pintadas nas paredes. Propaganda eleitoral é o que então mais se fazia. Cada um dos candidatos incitava ao voto: punha o nome e acrescentava ROGAT ou, sendo vários, ROGANT, que significa «pedem» que votes…

publicidade eleitoral em Pompeia

Mantêm-se ainda, aqui e acolá (felizmente!) placas de azulejo ou, mais singelas, de esmalte a proibir a afixação de anúncios. Algumas datáveis de finais do século XIX ou princípio do século XX. Documentos a preservar, claro! E a espicaçar a curiosidade: que anúncios então se fariam? Publicidade a quê?

O mais habitual era às touradas, aos teatros e récitas, aos bailes sobretudo os de benefício (para alguém da comunidade que estava doente e necessitado. Cedo, porém, houve empresas cujos proprietários não quiseram deixar os seus créditos por mãos alheias. E até encomendavam os anúncios a artistas de renome, para que mais êxito obtivessem. Os anúncios em jornais de princípios do século XX merecem, de facto, nesse âmbito da história económica e social, um estudo atento e deveras surpreendente será nos seus resultados.

Houve, todavia, quem fosse mais além do mero anúncio em jornal: painéis de azulejo foram pensados para se colocarem, por exemplo, à entrada das povoações! Alguns desses ainda subsistem; boa parte a sanha do progresso inexoravelmente os destruiu. E é pena!

Mabor General e Nitrato do Chile – à entrada de Nisa

Para os que ainda vivemos os meados do século XX facilmente recordaremos o fascínio do «Licor Beirão – O licor de Portugal». dos Nitratos do Chile, dos Pneus Mabor, da Mobil Oil…

Compreende-se: no momento em que se iniciava o turismo e o automóvel começava a ser meio de transporte mais comum, anunciar um óleo ou os pneus era fundamental. E para os estrangeiros visitantes um cálice de licor genuinamente português apresentava-se como requinte típico irresistível.

Às autarquias se apela para que tudo façam para que se preservem esses vestígios de outrora, hoje com valor patrimonial, testemunho ímpar de uma época.

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