O Ministério Público acusou o presidente da Câmara de Oeiras e outros 22 arguidos de peculato e abuso de poder. Em causa estão refeições que terão sido pagas indevidamente com dinheiro da autarquia. Gastos de 150 mil euros em refeições pagas pelo município, durante os mandatos autárquicos de 2017-2021 e de 2021-2025, totalizando nestes períodos mais de 1.400 refeições pagas com dinheiro da autarquia.
O procurador defende a perda de mandato de Isaltino Morais e dos restantes autarcas visados, pedindo também que o presidente da Câmara de Oeiras devolva 70 mil euros, individualmente, e mais 79 mil euros, solidariamente, em conjunto com os restantes arguidos.
Portanto, ao longo de dez anos, Isaltino e demais autarcas consumiram 150 mil euros em refeições. O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras recusa qualquer ilegalidade. Diz que quando recebe um outro autarca, por exemplo, que organiza um almoço de trabalho onde engloba a comitiva visitante, por vezes, uma dúzia de pessoas, número que não surpreende até porque sabemos que Isaltino não deixa ninguém sem comer, incluindo motoristas.
Vamos fazer contas. Se dividirmos os 150 mil € pelas 1400 refeições, dá qualquer coisa à volta dos 107 euros por fatura. Quantas pessoas comeram em cada fatura? Não sabemos. Mas, vamos imaginar uma média de 4 comensais por refeição, dá um gasto individual de pouco mais de 26 €. Não acho muito.
Ah!, mas algumas foram de lagosta e lavagante!, acusam os invejosos. Outras terão sido de frango assado, digo eu.

Só almocei uma vez numa mesa onde estava Isaltino Morais. Eramos 4 ou 5, sentados numa mesa no gabinete do vice-Presidente da Câmara, se a memória não me falha. As refeições foram encomendadas por telefone a um restaurante de Oeiras que as entregou no local. Foi um almoço de trabalho. Não me lembro do que comi. Não sei quanto custou ao erário camarário. Não cometi a indelicadeza de perguntar…



