HAY HOMBRES y LOS DEMÁS*

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Ouvi e vi há dias na televisão um especialista em Segurança e Defesa dizer que o Direito Internacional deve ser seguido, mas depende de favorecer ou não outros países. Fiquei tão atónita que, nas modernices de hoje, puxei o programa ao seu início para confirmar que tinha ouvido bem. Sim. Ouvi bem.

Assim sendo, a posição de Portugal nesta guerra está salvaguardada. Foi o que deu mais jeito ao governo de Luís Montenegro. E fica tudo respaldado.

Nunca poderia apoiar o Irão. NUNCA. Aquele regime que mata pessoas, que maltrata as mulheres, que comete atrocidades, etc. Sim. Mas é um país independente que foi atacado, contrariando o Direito Internacional. Lembra-me de Portugal, antes do 25 de Abril e como reagiríamos se um outro país nos invadisse e pusesse em causa a soberania nacional.

De repente, por momentos, eu, que sou profundamente portuguesa e até defendo ‘com unhas e dentes’ a nossa língua, quis ser espanhola. Vi e ouvi o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em conferência de imprensa, responder às ameaças de Trump de que vai bloquear o comércio com Espanha, devido à sua relutância em participar na ofensiva dos EUA contra o Irão, e não ceder a utilização das bases de Rota e Morón. Claro que, à luz de acordos antigos, Trump pode utilizar estas bases e fê-lo já, mas nenhum avião saiu dali para atacar um país soberano.

Em Portugal, foi o desastre que se viu com o uso da Base das Lajes e o inenarrável ministro do Negócios Estrangeiros a meter os pés pelas mãos e as mãos pelos pés, levando Montenegro a fazer a mesma figurinha. Claro que este estava mais preocupado com a ameaça do regresso de D. Sebastião do PSD, Passos Coelho, e nem deve ter percebido que a guerra estava à porta.

Miguel Sousa Tavares ironizou com as declarações de Rangel: o ministro foi ‘o único ser no planeta’ que, ao ver vários aviões estacionados na base açoriana, imaginou que iriam num ‘passeio no Médio Oriente’.

Sánchez, pelo contrário, foi claro: ‘A posição do governo espanhol pode ser resumida em poucas palavras: não à guerra’ e classificou a campanha contra o Irão como ‘ilegal’. Não se pode ‘responder a uma ilegalidade com outra’ e criticou o regime iraniano por ter atacado nove países indiscriminadamente.

Certo, certo, é que esta guerra está para durar, sobretudo quando é liderada por mentirosos. O presidente dos EUA passa a vida a dizer que o Irão quer negociar, enquanto o regime iraniano desmente. Agora, que ele próprio quer negociar, os líderes iranianos mandam-no passear.

A repressão no Irão, em protestos contra o regime, faziam prever a sua queda. Claro que haveria muito sangue a correr, mas é sempre preferível que as mudanças passem por dentro e não por invasões mal justificadas, sobretudo quando é consabido que, debaixo de todas as capas, o problema são os negócios do petróleo . Também o Iraque tinha armas de destruição maciça que… nunca apareceram. Mas tinham petróleo. Os americanos no seu melhor, apoiando-se ou apoiando os israelitas, sempre desejosos de matar tudo o que não esteja de acordo com eles. Uma vez mais: ninguém aprendeu nada com a História. E os israelitas tinham uma obrigação maior de o ter feito.

(do título: *uns são homens, outros não…)

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