De facto, foram aí explorados os piropos e jacintos do Monte Suimo. O «jacinto de Compostela» é uma pedra natural, geralmente quartzo contendo óxidos de ferro, apreciado como cristal bruto ou polido, usado, por isso, como ornamento, atribuindo-se-lhe mesmo propriedades esotéricas. Piropo é uma variedade de granada, vermelha e brilhante.


Vale, pois, a pena recordar que, na escritura, em pergaminho iluminado, da criação do Morgadio de Belas pela Rainha D. Brites, mãe de D. Manuel I, se menciona «a velha azenha, agora (em 1501) com pilão[…]…». Ora, pelo conhecimento ancestral dos donos da quinta, sabe-se que as pedras do Monte Suimo eram arrancadas em pesados bocados e levadas ao Rio do Porto, nome este ainda hoje bem conhecido.

Na esquina entre a Quinta Wimmer e a Quinta do Bom Jardim, o Rio do Jamor era navegável em barcaças de estaca, desde este local, denominado Rio do Porto, até à Cruz Quebrada, onde se situa hoje o Estádio do Jamor.
Teve Martins da Pedra ensejo de visitar a zona em Março de 2008. Dessa visita fez circunstanciado relatório, donde, com a devida vénia, tomo a liberdade de retirar algumas elucidativas passagens e. sobretudo, fotografias.
Nessas pequenas embarcações de estacas se transportavam as rochas até à azenha, que era à romana, de duas rodas horizontais. Nesta azenha se partiam as pedras grandes e delas se sacavam os pequenos cristais, transportados depois, sob escolta de soldados, para o Palácio Real, no Terreiro do Paço, em Lisboa, onde se decidia o destino das pedras, que então apenas deviam ser usadas para benefício da Coroa de Portugal.


Assim, esclarece que o Monte Suimo, perto da vila de Belas, «é uma pequena elevação arredondada encimada com um marco geodésico a 291 metros de altura». A área de mineração está localizada na vertente norte, junto ao campo de golfe do Lisbon Sport Club.
Há notícia de que, aí, a exploração mineira data desde tempos remotos. Escreve Martins da Pedra, «da época romana podem ser apreciadas algumas peças de ouro engastadas com piropo do Monte Suimo no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa». E acrescenta que «as minas estiveram sempre relacionadas com a Coroa Portuguesa e um inventário aos ornamentos do príncipe D. Dinis datado de 1278, menciona “onze pedras jagonças (designação arcaica para jacintos) de belas almandinas”.
E, como não podia deixar de si, quando respondeu ao inquérito do Marquês de Pombal após o terramoto, o prior, Pe. João Crisóstomo, é bem sucinto na resposta, datada de 8 de Abril de 1758, mas não se esquece de referir: «Nesta freguesia e termo desta vila junto do lugar e monte de Suimo se tiraram antigamente pedras preciosas e ainda se acham algumas muito pequenas; têm a cor mais escura que a do rubim e no riso quase se igualam».

Enfim, também minas abandonadas nos permitem um passeio pela História!…
(em colaboração com José d’Encarnação)



