TRAGÉDIA EM LISBOA PODIA TER SIDO EVITADA

UMA TRAGÉDIA INCÓMODA PARA MOEDAS, EM VÉSPERAS DA CAMPANHA ELEITORAL

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O Elevador da Glória pertence à Carris, empresa municipal de transportes públicos. Mais do que um simples meio de transporte, tornou-se uma atração turística, justamente pelo seu caráter “pitoresco”: um carro elétrico com 140 anos, a subir e a descer a colina empinada entre a Praça dos Restauradores e o Chiado.

Mas, como qualquer máquina, exige manutenção. E a idade, ainda mais, deveria impor maior cuidado. Não sendo sabotagem, é evidente que o acidente de hoje, que provocou 15 17 mortos e 18 16 feridos, segundo os números divulgados pela comunicação social, resulta do cansaço do material, seja da estrutura circulante, seja dos próprios carris. Alguma coisa cedeu.

Foi uma avaria que talvez pudesse ter sido evitada. E aqui a responsabilidade não é apenas técnica, também é política. A Carris pertence à Câmara Municipal de Lisboa, e o “patrão” da empresa é o Presidente da autarquia. Perante uma tragédia desta dimensão, não bastava a frase feita de Carlos Moedas, quando afirmou que “Lisboa está de luto”, transmitida pelas televisões.

A responsabilidade política não é coisa pouca. O mínimo que se esperava era uma declaração consequente, preparada e à altura da gravidade da situação. Mas Moedas preferiu o vazio, refugiando-se num lamento protocolar. As suas lágrimas de crocodilo soam mais ao incómodo que a tragédia lhe causa, justamente quando se prepara para entrar em campanha eleitoral, do que a uma genuína demonstração de pesar pelas vítimas, em grande parte turistas, presume-se.

O que Moedas fez pareceu-se demasiado com fuga à responsabilidade.

1 COMENTÁRIO

  1. É isto mesmo que o seu texto sugere, Carlos Narciso: apurar responsabilidades e exigir às empresa e autarquia que, mantendo-se a atracção turística, se redobrem os cuidados.
    Ontem explicavam dois ex-trabalhadores da Carris e Metro, que a manutenção dos equipamentos fora confiada a empresas de fora. Ficava-lhes mais barato do que suportar uma equipa própria de manutenção, embora não tivessem garantias, por não se certificarem, da competência do pessoal que essas empresas externas integravam.
    A mínima despesa para obtenção do máximo lucro. Onde já vimos isto?…
    A Carris devia ter a sua equipa de manutenção e cuidados acrescidos com a lotação dos elevadores. Havia referência a um testemunho de uma moradora que costumava ver os utentes sentados (lotação esgotada, assim devia ser para segurança de todos) e outros de pé. Esta é uma vertente urgente das investigações, porque se verifica com frequência em todos os meios de transporte sem qualquer proibição.
    Uma vez mais o país de luto e os políticos ligeiramente aborrecidos com a data dos acontecimentos nefastos: tão perto das eleições, que maçada!
    Nós, portugueses de perto ou de longe, lamentamos mortes, feridos e desgosto dos familiares.

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