O LINO, UM HOMEM BOM QUE NOS DEIXOU

Soube ontem através de um amigo comum, o Professor José d’ Encarnação, que o António Lino Rodrigo, um saloio dos quatro costados, de Janes, Alcabideche, tinha falecido no dia 20, a um dia de fazer os 80 anos.

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Entre outras profissões que teve, era Antropólogo, um grande defensor da cultura portuguesa, mas fundamentalmente da CULTURA SALOIA, entre as quais a arquitetura vernácula, que ainda ponteia em pequenos agregados populacionais de Cascais, Oeiras, Sintra, Mafra e Torres Vedras.

Na sua terra ainda possuía a casa de família, dos seus avós, que manteve como ela era desde sempre.

A casa de António Lino Rodrigo em Janes

Fez parte da Comissão Pró-cinquentenário da Coletividade Sociedade Instrução e Recreio Janes Malveira, de que publicou um livro de memórias a que deram o sugestivo título de “Uma Sociedade nas Terras do Vento” e montaram um pequeno museu na antiga sede da coletividade.

Nas várias conversas que tivemos sobre Janes, chamou-nos a atenção para o Calhau da Senhora, onde lhe tirei uma fotografia, a arquitetura tradicional saloia com os seus pormenores e a poesia espontânea onde se incluía o cantar aos noivos, que já desapareceu.

Por último, temos duas fotografias da tradicional debulha do trigo, numa pequena eira, onde guiava dois burros, de modo a pisarem o trigo para se soltarem os grãos da espiga e, já afastado, observava a limpeza do trigo da palha, que era atirado ao ar com uma pá de madeira por uma idosa de Janes.

Lino, ainda jovem, na debulha do trigo

(outros artigos do mesmo autor em Guilherme Cardoso, autor em Duas Linhas)

1 COMENTÁRIO

  1. Muito grata pela referência a este nome, Guilherme Cardoso.
    Mais uma figura que julgo ter avistado em algum evento/situação/lançamento/ e de termos até conversado. A própria casa de família não me é estranha…com pedras antigas.
    Não é a primeira vez que me acontece, quando são referenciadas partidas de pessoas que moravam perto e com quem me cruzava. E fico com pena de sermos tão distantes uns dos outros nas cidades e vilas em que vivemos.
    Depois dizemos “acho que o conhecia”, sem ter efectivamente conhecido, trocado saberes e experiêrncias.
    Quanto conhecimento desperdiçamos, por culpa nossa ou encargos familiares.
    Um abraço.

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