Concebida sem Pecado

ARTE NAIF

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Não nos cansamos, de facto, de admirar o que dimana destes quadros verdadeiramente ingénuos, cheios de cores garridas, onde o pintor não descansou enquanto não pôs todos os pormenores. Não se ralou com a perspectiva nem com as proporções. É capaz de pôr um gato maior do que uma pessoa, se considera que, para ele, o gato é que é o importante.

Foi, como se sabe, o pintor francês Henri Rousseau (1844-1910) que chocou o mundo artístico com esse tipo de pinturas que ousou expor, no final do século XIX, no Salão dos Independentes, em Paris. Chamaram-lhe «naïf», em jeito de crítico menosprezo e o povo desatou a rir ‘com aquilo’. Pouco a pouco, porém, se começou a bater no peito e a considerar que, afinal, estes artistas, fugidos às regras académicas, eram capazes de ter… algum jeito. E têm!

Portanto, o nosso Verão pode beneficiar de uma ida à galeria do Casino Estoril para ver o que é – imagine-se! – o 44º Salão Internacional de Arte Naïf. São 44 anos! «O mais antigo do mundo!», faz questão de salientar o director da galeria, Pedro Lima de Carvalho.

Vamos parar diante de duas dessas pinturas, aleatoriamente escolhidas dentre as quatro dezenas feitas por 16 artistas ali representados: A. Barbosa, A. Réu, Ângela Gomes, Bento Sargento, Conceição Lopes, Cristiane Campos, Crucianu, Edna de Araraquara, Feliciana, Fernanda Azevedo, Juan Guerra, Manuel Castro, Maria Tereza, Noemi Eshet-Rosenweig, Silva Vieira, Viorica Farkas.

Este quadro de Ângela Gomes, uma brasileira natural de Vila Verde no estado brasileiro de Espírito Santo, nascida em 1953, e que expõe desde 1978. Veja-se bem a alegrias esfusiante e bem colorida que ressuma deste quadro, onde o galo de Barcelos assume papel de relevo perante bem excêntricos jardins onde se formam cordões humanos, em festa. A torre faz-me lembrar, curiosamente, o Palácio de Sobre Ripas, em Coimbra, onde passei boa parte da minha vida. Bem haja, Ângela!

E que dizer desta enorme plantação de girassóis, da autoria de Edna de Araraquara? Diz-se a pintora «de Araraquara», porque foi em Araraquara (São Paulo – Brasil) que nasceu em 1955. Vive e trabalha em Portugal desde 1991 e tem realizado exposições individuais e coletivas desde 1977. Aquilo é natural, não é? Pelo menos, aquilo é o nosso Alentejo, das casinhas térreas com faixas azuis e um grande chupão a deitar fumo… E que andam ali a fazer a senhora e o homenzinho, perdidos no meio dos girassóis? E a senhora, além, está assim com tanto medo do sol?

Um delírio é o que é – para nos fazer sorrir e deveras apreciar.

Até 25 de Setembro, na Galeria de Arte do Casino Estoril.

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