Ao fim de cinco anos do Mandato de Úmaro Sissoco Embaló haverá eleições, legislativas e presidenciais, na Guiné-Bissau, no próximo mês de Novembro.
As especulações são inúmeras, as surpresas são diárias, as coligações mudam ao sabor dos ventos, os amigos transformam-se em adversários e novamente amigos, em semanas. Na realidade ninguém sabe quem é quem na vida política guineense.
Nos últimos cinco anos o País foi governado pela mão de ferro de Sissoco Embaló. Foi Presidente da República, presidiu a todos os Conselhos de Ministros e, garante quem conhece a Guiné-Bissau, foi ele quem nomeou, sempre, os Presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e os Procuradores-Gerais da República. Nenhuma decisão, com o mínimo de importância a nível nacional, se concretizou sem o seu aval.
Destituiu a Assembleia Nacional, nomeando posteriormente uma nova Presidente, e conseguiu mudar os líderes de dois dos três maiores partidos do País só não logrando (ainda?) fazer ao mesmo ao PAIGC. O que, no momento actual, dada a cada vez mais contestada liderança de Domingos Simões Pereira, já não lhe merece a mesma preocupação embora seja, indubitavelmente, o seu maior problema,
Para compensar, tem as Forças Armadas ao seu lado.
Com base nestes pressupostos fácil será calcular que as eleições presidenciais serão um passeio para Úmaro Sissoco Embaló que, tudo indica será vencedor logo à primeira volta.
Resta o problema das legislativas.
A maioria dos observadores acredita que o PAIGC será o vencedor e a esse partido caberá a iniciativa de indicar o Primeiro-Ministro e constituir o Governo.
Isto porque o Madem15 e o PRS, perderam força devido à única jogada mal calculada do Presidente da República que criou guerras internas, num momento em que tal lhe era útil para aumentar o seu poder, mas que, hoje, o prejudica por estarem em conflito diminuindo o seu potencial eleitoral. A confirmar-se este cenário nada de muito bom se prevê.
Um Governo do PAIGC que Poder terá com um Presidente que pretenderá continuar a presidir, também, a todos os Conselhos de Ministros e, mesmo, à escolha dos seus membros? E se se recusarem a tal continuará o País a poder ser gerido por Governos de Iniciativa Presidencial ao arrepio da vontade popular? Torna-se, agora, muito mais difícil a continuação dessa prática absurda.
Não bastará ao Presidente mostrar obra feita (que a tem, e muita). A Guiné-Bissau progrediu imenso com mais obras feitas nestes cinco anos do que nos quarenta e cinco da gestão do PAIGC.
É hoje um País conhecido em todo o Mundo, graças às constantes viagens de trabalho do Presidente que conseguiu, no seu Mandato, presidir à CEDEAO e à CPLP, por exemplo. Foi recebido pelos líderes mais importantes de todo o mundo incluindo Trump, Putin, Xi Jinping, Friedrich Merz, Macron, e mais cem Chefes de Estado. Realidades que não se podem esconder.
Acresce, depois, um outro enorme problema: a dificuldade de Úmaro Sissoco Embaló criar equipas nas quais confie, ao ponto de lhes dar algum poder, pese embora ser indiscutível que a Guiné-Bissau tem quadros competentíssimos. E isso cria problemas e até inimizades mais ou menos camufladas. Terreno fértil para jovens ambiciosos, preparados e corajosos avançarem e, contrariamente ao que se possa pensar, há quem reúna esses atributos e, vários deles, nas Forças Armadas. A Guiné-Bissau tem Oficiais, com cursos tirados no estrangeiro, nas melhores escolas militares, muitos deles bem preparados também politicamente e com poder de liderança. O exemplo de Ibrahim Traoré, no Burkina Faso, pode ter influência decisiva numa mudança profunda na Guiné-Bissau? Os riscos são enormes.
A tendência é os jovens acreditarem cada vez menos nos actuais protagonistas. As redes sociais dão a conhecer outras realidades e os governantes, na sua maioria, só percebem isso quando já é demasiado tarde. Os comícios, as passeatas, as festas com milhares de seguidores gritando com fervor o nome dos candidatos, conseguem dar a ideia, por vezes errada, de um apoio incondicional que embriaga e distrai alguns políticos.
Daí a hipótese de aparecer um outro Ibrahim Traoré, agora na Guiné-Bissau. Eu, no lugar de Úmaro Sissoco Embaló, começaria a pensar, seriamente, nessa hipótese.



