O diretor do Serviço Nacional de Saúde teve hoje um longo tempo de antena no Telejornal. Falou do que mais preocupa o Governo que é o colapso das urgências hospitalares. Sempre que há um caso nas urgências, o alarido mediático aumenta de tom e o que o Governo menos quer é alarme social que não envolva imigrantes ou criminalidade.
Álvaro Santos Almeida falou muito, mas talvez tenha deixado alguns rabos de palha que se forem investigados podem vir a causar problemas. Principalmente quando desmentiu dados fornecidos por agentes do setor que é suposto ele gerir, quanto a partos no interior de ambulâncias ou ao encerramento em simultãneo de todas as urgências na Península de Setúbal, por exemplo. Qualquer estagiário de jornalismo vai chegar aos números reais e se o diretor do SNS mentiu em público vai ficar em maus lençóis.
Uma das afirmações de Álvaro Santos Almeida que ninguém vai conseguir desmentir foi que “há falta de médicos no SNS”. Mas o que falta dizer é que não é só nas urgências que há falta de médicos. A carência de mão-de-obra nota-se logo ao nível dos centros de saúde. Os médicos de família desapareceram. Os utentes deixaram de ter acompanhamento médico. Não conseguem sequer fazer um check-up de controlo.
Também aqui, as vagas estão a ser preenchidas por médicos estrangeiros. São tarefeiros, eventuais, úteis para passar receitas mas inúteis para coisas tão simpes quanto seja, por exemplo, executar uma aspiração de cerume (cera) dos ouvidos de um utente. É um procedimento simples, mas não existe o equipamento necessário para o executar.
Neste tipo de situações, o médico do centro de saúde aconselha o utente a dirigir-se a uma clínica privada. Qualquer uma serve. O procedimento clínico demora poucos minutos, o utente volta a ouvir com clareza. Mas tem de pagar 90 € como foi o caso que a fatura abaixo comprova.

Destes problemas o diretor do SNS não falou. Também ninguém lhe perguntou.



