NETANYAHU E A CORRUPÇÃO

Em causa, atuações venais e promíscuas de líderes árabes com Netanyahu.

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Todos nos interrogamos por que razão os países árabes não se coordenam numa ação protetora do povo palestiniano, em vias de extinção pela ação genocída dos militares de Israel.

A resposta pode estar no escândalo “Qatargate” que está a abalar a sociedade israelita. Netanyahu é suspeito de ter recebido subornos do Qatar, país árabe que também tem financiado o Hamas. Em Israel o escândalo é grande, mas arrasta-se nos tribunais desde que começou a guerra na Faixa de Gaza. Na Europa nem por isso, mesmo se há vários eurodeputados envolvidos no mesmo processo de corrupção. O alcance dos braços da corrupção do Qatar parece ser global.

As investigações em Israel sugerem que assessores próximos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu terão recebido centenas de milhares de dólares do governo do Qatar. Dois pagamentos terão ido diretamente para contas bancárias do primeiro-ministro. Netanyahu nega qualquer envolvimento e processou o ex-ministro da Defesa Moshe Ya’alon por difamação após este afirmar que o primeiro-ministro recebeu dinheiro do Qatar. ​

Se as suspeitas forem confirmadas, esses pagamentos podem ter servido para garantir que Israel ajudasse a promover a imagem do Qatar e isso explicaria o emirato ter sido escolhido para palco das conversações entre Hamas e Israel. Mas o que ganharam os alegados corrompidos? A resposta é muito dinheiro.

Israelitas protestam com cartazes sobre o “Qatargate” contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, à porta do tribunal distrital de Telavive, em 17 de março de 2025.

A questão é se o esquema terá maior dimensão ainda. O facto dos Estados do Golfo Pérsico manterem uma atitude esfíngica perante o drama palestiniano pode indiciar que a promiscuidade com Israel ultrapassa as fronteiras do Qatar. Muitos governos árabes, especialmente aqueles dos petrodólares, têm relações discretas ou até formais com Israel e vêem a questão palestina mais como um problema do que como uma causa a ser defendida.

A normalização das relações de países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita com Israel mostra que há uma reconfiguração de alianças na região, onde os interesses financeiros e estratégicos serão suficientes para provocar uma guerra regional que permita a Israel expandir-se territorialmente, exterminar os palestinianos e, quem sabe, desafiar o Irão com o apoio desses aliados árabes. Os radicais israelitas sonham com um Império e os EUA não seriam alheios a uma estratégia deste tipo.

Estamos a falar de Estados árabes que podem definir políticas comerciais devastadoras para a economia israelita, mas que iriam igualmente prejudicar a economia global. Basta lembrar o que aconteceu nos anos 70 do século XX, quando os membros árabes da OPEP decidiram bloquear as exportações para a Europa e EUA e reduzir a produção de petróleo em 5% ao mês, até que os israelitas se retirassem dos territórios árabes ocupados. O preço do barril de petróleo quadruplicou. Não resolveu a questão palestiniana, mas resultou em pesadas perdas nas economias ocidentais. Porque não fazem o mesmo agora?

Com o tempo, os EUA conseguiram tornar esses Estados árabes dependentes dos seus fornecimentos de equipamentos militares, de tecnologia e até mesmo financeiramente, depois de terem atraído vultuosos investimentos para a economia dos EUA. Criticar Israel de forma contundente poderia prejudicar esses investimentos, algo que muitos líderes árabes preferem evitar.

É um cenário horrível. A Palestina parece estar condenada. Gaza está devastada, a Cisjordânia sob ocupação crescente, e o apoio árabe tornou-se fraco e interesseiro. Toda a comunidade internacional mostra-se conivente, de resto.

É verdade que a História já mostrou que resistências podem durar décadas antes de conseguirem mudar alguma coisa. Mas a resistência palestiniana já dura há mais de 70 anos e nada mudou para melhor. O cenário é catastrófico, mas ainda não é o fim da História.

O atual governo de Israel está minado por suspeitas de corrupção e as políticas radicais e a ação genocida dos militares não são ignoradas pela opinião pública, dentro e fora de Israel.

Título do Jerusalém Post onde se afirma que o porta-voz militar de Netanyahu, Eli Feldstein, estava a ser pago pelo Qatar

Tarde ou cedo, haverá eleições em Israel e um governo mais moderado poderá permitir uma outra solução para a questão palestiniana. Se ainda existirem palestinianos vivos nessa altura.

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