Electrónica, saber e empatia

Poderiam ser essas as três palavras a caracterizar o espectáculo com que Diogo Piçarra nos brindou, no Salão Preto e Prata do Casino.

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A electrónica ocupou, de facto, lugar cimeiro, para abrilhantar o ambiente criado pela presença do cantor. Vídeos intrigantes em grande plano de fundo; os sempre inquietos holofotes a disparar jorros de luz em todas as direcções e o acompanhamento musical a ser comandado, a todo o momento, pelo cantor.

Sim, aparentemente, no palco, para além de Diogo Piçarra, estava Filipe Cabeçadas, o seu baterista de sempre. Mas havia essa misteriosa e quase imperceptível mesinha que Diogo Piçarra consultava, largando a guitarra, e daí saíam, como que por milagre, os mais estranhos acordes de acompanhamento.

Portanto, foi ilusão só estarem duas pessoas em palco: estava uma multidão! Toda uma equipa que minuciosamente preparou cada pormenor do alinhamento, de modo a saberem realçar o saber de Diogo Piçarra.

Finalmente, empatia.

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Com enorme à-vontade, como quem não quer a coisa, dando mesmo a impressão de que estava perfeitamente em casa, num diálogo amiúde assumido com a assistência, mormente os jovens, que constituíam, sem dúvida, o nível etário mais representado na assistência. Escusado será dizer que a maior parte das cantigas, se não a totalidade, foram não apenas trauteadas mas também cantadas a sério, de letra e toada sabidas a preceito, por quantos encheram por completo o salão.

Empatia é, portanto, a palavra a consagrar. E no alinhamento do espetáculo bem se previra que nem sempre Diogo Piçarra ficasse a namorar com a consola; também viria para a frente do palco a desafiar as fãs e partiria plateia afora a cumprimentar cantando e, sobretudo, iria terminar o espetáculo literalmente aconchegado no meio do público que o soube acompanhar de pé.

Cantou Diogo Piçarra o que de mais sublime há no seu repertório, não deixando de mostrar que há sempre uma música (assim se chamava o espetáculo), uma música susceptível de animar e de ajudar a passar, sem que se desse por isso, os quase 120 minutos ali passados.

Ganhou a noite Diogo Piçarra. Ganhámos todos os que tivemos a dita de acompanhar esses minutos todos em que a canção foi soberana. E valeu!

 Todas as fotografias são de Conceição Alves / Casino Estoril

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