ASSUSTOU-SE, FUGIU, MORREU

Para alguns polícias, preto é suspeito. Está na natureza dos racistas. Quando o “suspeito” não obedece a uma ordem policial, resolvem a coisa a tiro. Depois argumentam que o suspeito em fuga os tentou agredir, matar até. Tentam legitimar o assassinato. Cenas destas não são só dos filmes de Hollywood.

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fotografia de Miguel A. Lopes / agência Lusa

Suponhamos que o homem morto pela PSP regressava a casa, depois de ter bebido um copo ou dois a mais com amigos. Ia no seu próprio carro, comprado em 5ª mão, fruto do seu trabalho diário. Até talvez ainda estivesse a pagar as prestações do empréstimo. Os bancos e outras casas de crédito bancário emprestam dinheiro com demasiada facilidade.

Talvez a condução do veículo não fosse a mais canónica. A polícia mandou-o parar, não se sabe em que termos, ele assustou-se e fugiu. Na fuga, abalroou dois ou três veículos. Quando saiu do carro levou um tiro e morreu. A polícia diz que foi ameaçada com uma faca.

Primeiro, a PSP classificou a vítima como “suspeito de roubo”. Sim, onde já se viu um preto conduzir o seu próprio carro? Seria roubado, por certo. Não se pode levar a mal o instinto matador, diz o deputado Ventura à cata dos poucos votos que lhe faltam meter no bolso entre os elementos policiais mais broncos da corporação.

Ainda segundo a PSP, o tiro mortal aconteceu após “esgotados outros meios e esforços” face às alegadas ameaças com arma branca do indivíduo. Tinha-se-lhes acabado a paciência.

Os moradores do bairro do Zambujal, onde morava a vítima, é que não se convencem com esta treta e protestaram de modo violento, também. Queimaram autocarros, carros, contentores do lixo. Como nos filmes de Hollywood, mais uma vez.

O fotojornalista da agência Lusa, Miguel Lopes, chegou tarde aos locais dos distúrbios, mas no Facebook conta que “no Bairro do Zambujal foi incendiado um autocarro da carris e outro no bairro da Portela, em Carnaxide.”

“Fui espreitar os bairros junto ao centro comercial Ubbo. Já passava da meia noite quando passei junto ao bairro Casal da Mira, reparei que havia vários focos de incêndio dentro do bairro, mas não havia presença de nenhum polícia e decidi não arriscar entrar dentro do bairro e até um carro dos bombeiros da Amadora estava parado numa das variantes e os bombeiros também não arriscaram entrar.”

Miguel A. Lopes / Agência Lusa
Mguel A. Lopes / Agência Lusa

Sem imagens dos veículos a arder (as mais publicáveis nos jornais e sites), as fotografias do Miguel Lopes têm o mérito de nos dar o ambiente pesado da noite passada. “Sentia-se a tensão no ar”.

Miguel A. Lopes / Agência Lusa

(todas as fotografias foram partilhadas a partir do Facebook de Miguel A. Lopes)

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